Polícia

Haxixe era tratado como “iPhone” em esquema ligado a alvo de sanção dos EUA; entenda

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A Polícia Federal identificou uma rede de tráfico que movimentou mais de R$ 10,3 bilhões, utilizando linguagem codificada para ocultar operações.  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Freepik
Fernanda Montanha

por Fernanda Montanha

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Publicado em 04/07/2026, às 10h57



A Polícia Federal identificou que integrantes investigados na Operação Exchange utilizavam linguagem codificada para negociar drogas e movimentar recursos obtidos com o tráfico internacional.

Segundo a apuração, o grupo teria movimentado mais de R$ 10,3 bilhões, utilizando uma estrutura financeira baseada em empresas de fachada para ocultar a origem do dinheiro.

Entre os alvos estão Ygor Fokin Saviolli e Gabriel Innocente, apontados como integrantes do núcleo financeiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo o Metrópoles.

De acordo com a decisão da Justiça Federal obtida pelo Metrópoles, Ygor atuava na coordenação logística do esquema ao lado de Victor Henrique de Oliveira Shimada, enquanto Gabriel era responsável por negociar a comercialização de entorpecentes, especialmente haxixe.

Conversas criptografadas revelam códigos

As investigações mostram que os suspeitos recorriam a aplicativos criptografados e expressões específicas para dificultar a atuação das autoridades. O termo "iPhone" era utilizado como codinome para o haxixe, enquanto "flor" fazia referência à maconha de alta qualidade e "ice" identificava uma variedade de haxixe produzida com água gelada.

Mensagens interceptadas pela PF indicam negociações com fornecedores internacionais para envio de drogas ao Brasil pelos Correios. O Rio de Janeiro aparecia como um dos principais mercados consumidores, onde, segundo os diálogos analisados, o haxixe poderia alcançar até R$ 150 por grama devido à elevada procura.

Sanções dos EUA e defesa

A investigação também aponta que os recursos provenientes do tráfico eram direcionados para contas de empresas de fachada, entre elas a HI Quality Importação Comércio e Distribuição Ltda., apontada como parte da estrutura utilizada para conferir aparência legal aos valores movimentados.

Victor Shimada, investigado no caso, está entre os brasileiros sancionados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, ao lado de Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, presa durante a operação. As sanções incluem o bloqueio de bens e ativos nos EUA, além de restrições para negociações com cidadãos e empresas americanas.

A defesa de Shimada informou que ainda não teve acesso aos autos e afirmou que só irá se manifestar após analisar o conteúdo da investigação. Já o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, declarou que o órgão não possui informações que vinculem Shimada e Stella diretamente ao PCC.

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