Polícia
A Corregedoria Geral do Município conduz uma sindicância para apurar denúncias de supostas irregularidades na gestão do CAPS IV Redenção, unidade localizada na região que concentrava o fluxo da Cracolândia, no centro de São Paulo.
A investigação apura a inclusão de profissionais que não atuavam mais no serviço e até de médicos falecidos em registros administrativos, segundo relatos apresentados por servidores.
As denúncias foram feitas por funcionários públicos e por um gerente da Associação Filantrópica Nova Esperança (Afne), organização responsável pela administração da unidade por meio de contrato com a Prefeitura de São Paulo. Eles afirmaram ter identificado aposentados e ex colaboradores na Tabela de Lotação de Pessoal.
Com o avanço da apuração, a Corregedoria constatou que médicos já falecidos também apareciam em folhas de pagamento.
Uma ex funcionária da Afne prestou depoimento e informou que havia alertado a gerência sobre a necessidade de retirar esses nomes do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), mas a atualização não teria sido realizada antes de seu desligamento.
As suspeitas foram levadas inicialmente ao vice prefeito Coronel Mello Araújo, que encaminhou o caso para a Corregedoria.
Após a recomendação do órgão, a Prefeitura suspendeu o contrato com a Afne em março, embora a entidade tenha permanecido na prestação dos serviços por força de decisão liminar posteriormente mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Em nota ao Metrópoles, a Secretaria Municipal da Saúde informou que continua colaborando com as investigações. Já a Afne afirmou ter instaurado um inquérito por calúnia contra os servidores responsáveis pelas denúncias e disse que prestou esclarecimentos aos órgãos competentes, sem divulgar detalhes.
O caso ocorre após a dispersão do fluxo da Cracolândia, registrada em maio de 2025, quando usuários passaram a se concentrar em pequenos grupos em diferentes pontos da região central. O processo ocorreu em meio ao aumento de internações voluntárias e compulsórias e a relatos de violência policial.
Outra medida relacionada ao período foi a extinção da Coordenadoria Regional de Saúde Centro por decreto municipal. A administração afirma que a mudança teve como objetivo reorganizar a gestão dos serviços de saúde, enquanto pessoas que acompanharam o processo associam a decisão às investigações em andamento. A Prefeitura sustenta que o atendimento na região permanece com a mesma estrutura e quantidade de serviços.
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