Polícia
por Andrezza Souza
Publicado em 09/07/2026, às 09h30
Um levantamento inédito do Instituto Sou da Paz revelou que seis em cada dez homicídios dolosos registrados no Brasil não são solucionados. Segundo o estudo, apenas cerca de 40% dos assassinatos resultam em denúncia apresentada pelo Ministério Público até o fim do ano seguinte ao crime.
A pesquisa analisou dados dos 26 estados e do Distrito Federal entre 2020 e 2023 e buscou identificar os fatores que influenciam os diferentes índices de esclarecimento de homicídios no país.
De acordo com o levantamento, estados com maior renda per capita, melhores índices de desenvolvimento humano (IDH), maior nível de escolaridade e maior taxa de urbanização tendem a apresentar melhores resultados nas investigações.
Por outro lado, fatores como desigualdade social, desemprego, analfabetismo, maior número de homicídios de jovens e assassinatos cometidos com armas de fogo aparecem associados às menores taxas de elucidação.
O estudo também identificou que estados com maior proporção de homicídios praticados com armas de fogo costumam solucionar menos casos. Além disso, essas investigações geralmente demandam mais tempo e recursos.
Em contrapartida, o aumento das apreensões de armas ilegais foi associado a melhores índices de esclarecimento dos homicídios.
Segundo Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, o resultado reforça a importância de políticas voltadas à retirada de armas ilegais de circulação e da integração entre inteligência policial e investigações, com apoio de ferramentas como o Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab).
O levantamento também mostra que estados com altos índices de violência podem apresentar bom desempenho na investigação dos crimes.
Como exemplo, o estudo cita Rondônia, que registra uma taxa de homicídios superior à do Distrito Federal, mas consegue esclarecer aproximadamente 67% dos assassinatos. Mato Grosso, Sergipe e Paraíba também aparecem entre os estados que mais ampliaram as taxas de esclarecimento ao longo dos últimos anos.
Para o Instituto Sou da Paz, medidas como o fortalecimento da perícia, a especialização das equipes, a integração entre forças de segurança e o uso de indicadores de desempenho estão entre os fatores associados ao aumento da capacidade de investigação, mesmo em locais com elevados índices de violência.
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