Polícia
por Bernardo Rego
Publicado em 16/06/2026, às 10h56
Após o grave acidente que resultou na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que morreu após ser jogada da Ponte do Esqueleto em Limeira, no interior de São Paulo, o instrutor que colocou o equipamento na jovem, identificado como Gustavo, contou detalhes do fatídico dias.
"O que eu ouvi foi "Meu Deus, a menina". É normal a pessoa gritar quando ela pula, e a galera que está em volta gritar junto. Eu ouvi gritos e, quando virei [de frente para a plataforma], já tinha acontecido, e o pessoal estava falando. Uma mulher falou que era enfermeira e falou para alguém ajudar ela a descer até onde estava a moça que caiu para prestar os primeiros socorros. A gente acompanho", disse Gustavo em entrevista à TV Record.
O instrutor de Rope Jump disse ainda que os responsáveis por colocar as cordas nas pessoas que vão saltar costumam verificar se o equipamento foi devidamente fixado. Ele destacou que não viu se os três colegas — presos após a morte da jovem — seguiram o procedimento no caso de Maria Eduarda.
"Eu estava a quatro metros de distância de onde fica a plataforma. Eu estava de costas para onde fica a plataforma de salto porque eu estava equipando outra cliente. [O salto de Maria Eduarda] Foi o primeiro [na modalidade "aviãozinho"]. Antes dela, haveria outro, mas a menina ficou com medo e desistiu", contou Gustavo.
O presidente da Associação Brasileira de Rope Jump e Pêndulo Humano (ABRJH), Marco Antonio Junior, conhecido como Jota, disse que o salto não cumpriu os padrões mínimos de confiabilidade exigidos na modalidade. Segundo ele, "qualquer atividade de aventura no mundo" exige a dupla checagem, o que não ocorreu no incidente no interior paulista. As informações são do Jornal O Globo.
"O salto não teve padrão nenhum. Um instrutor tem que prender a corda no cliente, e o outro instrutor vai checar se a corda está presa da forma correta. Isso é o duplo cheque. Em qualquer atividade de aventura que você for fazer no mundo, é a primeira lei", explicou Jota.
O vídeo do momento da queda gerou repercussão nacional após viralizar nas redes sociais. As imagens mostram a jovem sendo de 21 anos sendo carregada por três instrutores até a plataforma e lançada na modalidade conhecida como “aviãozinho”.
"Na hora que eu vi o vídeo, eu falei: "tá explicado porque aconteceu, não tem padrão mínimo de segurança, três pessoas para fazer a mesma função". Eles pegaram, levantaram e jogaram ela como se fosse um saco de batatas. Não tiveram nenhum tipo de preocupação com a vida da pessoa. Nada. É algo grotesco", destacou o profissional.
Segundo o presidente da ABRJH, a posição "aviãozinho" também não é a mais indicada para saltos com iniciantes. Jota explica que, devido à falta de experiência, os praticantes podem ficar nervosos pela altura e se desequilibrarem, o que acarreta risco de queda para os próprios profissionais envolvidos. Na plataforma em Limeira, por exemplo, que é estreita, "se uma cliente entra em desespero e tentar agarrar um instrutor, caem todos".
"Estava tudo irregular. Aquela corda no chão (que aparece no vídeo), na verdade, não é a corda do salto. Deve ser a sobra da corda que eles usaram para "linha de vida", mas não é a do salto. E isso já está irregular, porque alguém poderia tropeçar nela na beira da ponte", pontuou Jota.
Relembre incidente
Jovem pagou para saltar
Maria Eduarda pagou R$ 180 pela experiência e desembolsou outros R$ 150 para que o salto fosse filmado com uma câmera 360 graus. O equipamento, que aparecia nas mãos da jovem momentos antes da queda, ainda não foi localizado pelos investigadores.
Formada em Educação Física e moradora de Jandira, na Grande São Paulo, Maria Eduarda trabalhava em uma academia e costumava compartilhar nas redes sociais registros ligados a esportes, natureza e bem-estar.
Classificação Indicativa: Livre
cinema em casa
Qualidade Razer
Lançamento
som poderoso
Imperdível