Polícia
por Bernardo Rego
Publicado em 29/06/2026, às 07h47
As investigações em torno da assassinato da policial militar Gisele Alves Santana, morta a tiros dentro do apartamento onde morava na Zona Leste de São Paulo em fevereiro deste ano, ganhou um novo desdobramento.
O resultado do exame necroscópico, obtido pelo portal Metrópoles, aponta que as marcas encontradas no rosto e pescoço da vítima foram resultado de agressões praticadas por um adulto. A defesa do tenente-coronel Geraldo Rosa Neto, companheiro da mulher, alegava que as marcas teriam sido feitas pela filha de Gisele, uma criança de 7 anos. Rosa Neto está preso preventivamente no presídio militar Romão Gomes.
No laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML), o médico legista Tadeu Corrêa descartou a possibilidade de que as lesões tivessem sido causadas pela filha de Gisele.
“Etiologicamente, a força empregada é de elevada energia e análoga a contexto de preensão em garra para contenção ou imobilização e exercida por sujeito com robustez suficiente a causar a necessária biodinâmica da lesão, características que são insuficientes para uma criança dessa faixa etária”, destacou o perito.
“Não há plausibilidade minimamente racional que uma criança em situação de colo afetuoso de sua mãe possa produzir esse grau de lesão à sua genitora. Como mencionado, as dimensões maiores da lesão em comparação a mão e dedos pequenos da criança e a alta energia empregada são verazmente incompatíveis“, acrescentou.
Ainda segundo o laudo, as marcas foram feitas “segundos antes da morte” e que possuem o mesmo “padrão cronológico” de coagulação que a entrada do projétil, que perfurou o crânio de Gisele, “demonstrando que a contenção e o tiro fazem parte do mesmo ato executório”.
Rosa Neto afirma que a mulher cometeu suicídio e diz acreditar que as marcas no pescoço tenham sido feitas pela filha de Gisele, de 7 anos. Segundo ele, quando a companheira colocava a menina no colo, ela entrelaçava as pernas no corpo da mãe e a segurava pelo pescoço.
Gisele morreu com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde vivia com o oficial. O tenente-coronel Rosa Neto foi preso preventivamente e se tornou réu por feminicídio e fraude processual.
Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio. No entanto, após análise detalhada da Polícia Civil do Estado de São Paulo, a hipótese foi revista. Perícias técnicas e a reconstituição da cena indicaram inconsistências com a versão apresentada pelo oficial. Ele está preso preventivamente desde o dia 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital.
A vítima deixou uma filha de 7 anos, fruto de uma união anterior, que recebe o benefício de pensão por morte gerido pela SPPrev.
Em nota, a SPPrev ressaltou que atua estritamente na gestão da folha de pagamento de inativos e que cumprirá as determinações financeiras vigentes até que eventuais novas decisões judiciais ou administrativas alterem o status funcional do réu.
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