Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 23/09/2026, às 10h30
A Justiça de São Paulo retoma nesta quarta-feira (23) a audiência de instrução do processo que apura a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos.
A jovem morreu em junho após ser arremessada de uma ponte durante um salto de rope jump em Limeira, no interior de São Paulo.
Quatro pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pelo caso.
Maicon Fernandes Cintra, Luis Felipe Feliciano Egoroff e Vitor de Freitas Gonçalves respondem por homicídio com dolo eventual, enquanto Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada como CEO da empresa responsável pela atividade, também responde pelo mesmo crime, além de fraude processual.
A primeira etapa da audiência ocorreu na última quinta-feira (17), quando testemunhas prestaram depoimento. Nesta quarta, outras pessoas devem ser ouvidas. Os réus serão interrogados em uma etapa posterior.
Maria Eduarda participava de uma atividade de rope jump na chamada Ponte do Esqueleto, em Limeira, quando caiu de uma altura de aproximadamente 40 metros.
Vídeos que circularam nas redes sociais mostram três instrutores levantando a jovem e, em seguida, arremessando-a da ponte. Logo depois da queda, outros praticantes que estavam no local perceberam que Maria Eduarda estava sem as cordas de segurança.
A jovem morreu após a queda. Um amigo que acompanhava a atividade ficou em choque ao presenciar o acidente e precisou ser hospitalizado, de acordo com o portal Metrópoles.
Os três homens que aparecem nas imagens foram presos e denunciados por homicídio com dolo eventual, modalidade em que, segundo a acusação, o agente assume o risco de produzir o resultado. Evelyne também foi presa, e a Justiça determinou que os quatro permanecessem detidos.
Na denúncia apresentada em julho, o MP afirmou que os responsáveis pela atividade tinham conhecimento dos riscos do rope jump, mas deixaram de adotar procedimentos considerados necessários para garantir a segurança dos participantes.
Entre as falhas apontadas estão a ausência de conferência da conexão das cordas de segurança e da dupla checagem dos equipamentos antes do salto.
Segundo os promotores, o grupo também atuava sem uma divisão clara de funções e explorava comercialmente a atividade sem cumprir exigências previstas na legislação.
A acusação sustenta ainda que os interesses econômicos e a divulgação dos saltos nas redes sociais teriam sido priorizados em detrimento da segurança dos participantes.
No caso de Evelyne, o Ministério Público afirma que ela tinha o dever de garantir a adoção de padrões mínimos de segurança e interromper a atividade diante de condições inadequadas.
Segundo a denúncia, a organizadora teria conhecimento de uma falha operacional semelhante ocorrida anteriormente, mas não teria adotado medidas suficientes para impedir que o procedimento se repetisse.
Além do homicídio com dolo eventual por omissão imprópria, Evelyne foi denunciada por fraude processual.
A acusação afirma que ela teria determinado a localização de uma câmera GoPro usada por Maria Eduarda e a exclusão do conteúdo registrado pelo equipamento, com o objetivo de dificultar a investigação. A câmera continua desaparecida.
O MP-SP também aponta irregularidades na própria exploração comercial do rope jump.
Segundo a denúncia, os responsáveis não tinham inscrição no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur), não haviam contratado seguro de responsabilidade civil e não elaboravam termos de conhecimento, responsabilidade e ciência de risco para os participantes.
Os promotores afirmam que essas exigências já estavam em vigor quando ocorreu o acidente, com base na Lei Geral do Turismo e em sua regulamentação.
“A inobservância técnica somava-se à irregularidade formal da própria atividade”, afirmaram os promotores na denúncia.
A acusação sustenta que o conjunto de falhas contribuiu para a situação que terminou com a morte da jovem.
A audiência de instrução e julgamento começou na semana passada e deve prosseguir nesta quarta-feira com novos depoimentos.
A fase é destinada à produção das provas antes do interrogatório dos acusados e das demais etapas do processo.
Os quatro denunciados permanecem presos por decisão da Justiça. Ao longo da instrução, testemunhas e demais elementos serão analisados antes que o processo avance para as próximas fases.
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