Polícia

MP investiga movimentação bilionária de bets em três estados no Brasil; entenda

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Diversos mandados de busca e apreensão foram cumpridos em três estados pelo Ministério Público de RN e de PE; esquema criminoso envolve bets ilegais  |   BNews SP - Divulgação Foto: Divulgação/MPRN
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 18/06/2026, às 15h28 - Atualizado às 15h29



Uma força-tarefa composta pelos Ministérios Públicos do Rio Grande do Norte (MPRN) e de Pernambuco (MPPE), em conjunto com a Receita Federal, deflagrou nesta quinta-feira (18) a Operação Conto da Sorte.

A ação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão nos estados de Pernambuco, Ceará e São Paulo.

A rede criminosa utilizava plataformas de apostas eletrônicas (bets) ilegais para movimentar bilhões de reais de forma fraudulenta.

O foco da operação foi coletar provas materiais sobre lavagem de dinheiro, associação criminosa, sonegação fiscal, exploração de jogos de azar e crimes contra as relações de consumo.

Segundo o g1, a Justiça determinou o bloqueio de bens dos investigados até R$ 145 milhões.

Foto: Divulgação/MPPE
Foto: Divulgação/MPPE

Como funcionava a fraude do credenciamento irregular

A investigação teve início após alertas emitidos pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.

O esquema utilizava uma brecha criada no interior do Rio Grande do Norte, na cidade de Bodó, onde a prefeitura criou uma autarquia de loterias locais, chamada Lotseridó.

Antes de encerrar as atividades em outubro de 2025, a rede passou a credenciar irregularmente dezenas de empresas de apostas de todo o país, permitindo que operassem sem a supervisão dos órgãos reguladores federais.

O governo federal acionou o Supremo Tribunal Federal (STF), que cassou a autorização do município por entender que prefeituras não possuem competência jurídica para autorizar jogos e apostas em âmbito nacional.

Apesar da cassação, o grupo continuou operando.

De acordo com o Ministério da Fazenda, estima-se que cerca de 37 empresas participavam do grupo ilegal, gerando uma movimentação preliminar de aproximadamente R$ 50 bilhões.

Empresas de fachada e laranjas

A Receita Federal detalhou que foram criadas dezenas de empresas de fachada e instituições de pagamento controladas em segredo pelos líderes do esquema, mas registradas formalmente em nome de laranjas.

O dinheiro arrecadado dos apostadores entrava no sistema financeiro via Pix e passava por múltiplas transferências entre as contas fantasmas para burlar a fiscalização do Banco Central.

Pernambuco concentrou a maior parte dos mandados de busca por abrigar os principais articuladores e as sedes das firmas fictícias.

Na ação, foram apreendidos celulares, documentos, R$ 30 mil em espécie, cédulas em moeda estrangeira, passaportes e armas de fogo.

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