Polícia
Vitória Pinelli, de 24 anos, afirma que se sentiu reconhecida após vencer uma ação contra o pai por abandono afetivo. A jovem relata que a decisão representou mais do que um resultado individual, refletindo experiências semelhantes vividas por outras pessoas.
Ela procurou assistência jurídica aos 18 anos com o objetivo inicial de solicitar pensão alimentícia. No entanto, o caso foi enquadrado como abandono afetivo, considerando a ausência total de convivência ao longo da vida, o que levou à abertura de um processo específico.
A ação foi iniciada em 2020 e resultou em decisão favorável, com indenização fixada em R$ 150 mil. Apesar disso, o valor ainda não foi pago, já que a Justiça busca bens em nome do pai, segundo o Terra.
Segundo especialistas, ações de pensão alimentícia e abandono afetivo tratam de aspectos distintos. A primeira está relacionada ao sustento material, enquanto a segunda envolve questões emocionais e psicológicas.
Nesse contexto, o abandono afetivo é caracterizado pela ausência de convivência e apoio moral, podendo gerar danos ao desenvolvimento, o que justifica pedidos de reparação civil.
O tema já era discutido nos tribunais, mas passou a ter previsão legal em 2025. A mudança trouxe mais clareza e segurança jurídica para decisões desse tipo.
Para comprovar o abandono na Justiça, são necessários documentos e evidências. Entre eles estão laudos psicossociais, registros que demonstrem ausência do genitor e depoimentos de testemunhas.
Além do aspecto jurídico, especialistas apontam consequências emocionais relevantes. A falta de vínculo parental pode gerar efeitos como ansiedade, depressão e baixa autoestima, afetando diferentes áreas da vida.
A psicologia também destaca que o sentimento de rejeição pode influenciar comportamentos futuros, incluindo dificuldades em relações pessoais.
Mesmo com a decisão favorável, Vitória afirma que não espera reconstruir a relação com o pai. Para ela, o processo não tem como objetivo resgatar vínculos afetivos.
Ainda assim, ao compartilhar sua história, a intenção é ampliar o debate sobre responsabilidade parental e dar visibilidade ao tema, que passou a ter maior reconhecimento legal recentemente.
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