Polícia
por Tatiana Ribeiro
Publicado em 15/10/2026, às 07h29
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Federal deflagraram, na manhã desta quinta-feira (15), a Operação Yellow Code, que investiga uma organização criminosa suspeita de traficar drogas entre estados e lavar dinheiro. Segundo as autoridades, o grupo escondia entorpecentes dentro de eletrodomésticos vendidos pela internet e enviados por encomendas.
A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do MPSP, em conjunto com a Delegacia de Repressão a Drogas da Polícia Federal. Ao todo, são cumpridos 14 mandados de prisão temporária e 15 de busca e apreensão em endereços na capital paulista, em São Caetano do Sul e Praia Grande, no litoral de São Paulo, além de Palhoça, em Santa Catarina, e Foz do Iguaçu e Pinhais, no Paraná.
As medidas foram autorizadas pela Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores do Tribunal de Justiça de São Paulo. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 5 milhões por investigado em contas bancárias, além da restrição de veículos registrados em nome de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao esquema.
As apurações tiveram início em setembro de 2025, após as autoridades receberem informações de que moradores de São Paulo vinham recebendo, desde o ano anterior, dezenas de encomendas adquiridas pela internet com drogas escondidas no interior de eletrodomésticos.
O cruzamento de dados apontou que as remessas partiam de uma mesma vendedora e eram postadas, principalmente, em Foz do Iguaçu, no Paraná. Ao longo da investigação, foram identificadas aproximadamente 120 encomendas suspeitas destinadas a três grupos de destinatários na Grande São Paulo.
Além do tráfico de entorpecentes, os investigadores apuram a atuação do grupo na ocultação dos valores obtidos com a atividade criminosa. Relatórios financeiros indicaram movimentações incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos.
De acordo com as apurações, os recursos eram transferidos de forma fracionada, sacados em dinheiro e repassados rapidamente a terceiros e empresas recém-criadas, com baixo capital social e sem atividade econômica efetiva.
A análise dessas transações também permitiu estabelecer conexões entre grupos de compradores que, inicialmente, aparentavam atuar de maneira independente.
Os investigados poderão responder por tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O material apreendido será submetido à análise, enquanto as autoridades prosseguem com as investigações para identificar outros possíveis integrantes do esquema e rastrear o patrimônio ligado ao grupo.
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