Polícia
por Tatiana Ribeiro
Publicado em 07/10/2026, às 07h33
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Campinas, no interior de São Paulo, e de Uberlândia, em Minas Gerais, com apoio do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), deflagrou, nesta quarta-feira (7), a terceira fase da Operação Trevo Infortúnio.
A ação investiga um esquema de exploração de jogos de azar e lavagem de dinheiro e tem como alvo um morador de Campinas apontado como um dos principais fornecedores de máquinas caça-níqueis do país.
Ao todo, as equipes cumprem três mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça de Minas Gerais. As ordens judiciais são cumpridas nos bairros Jardim Boa Esperança e Parque Via Norte, em Campinas.
De acordo com as investigações, o suspeito seria responsável pelo fornecimento de máquinas caça-níqueis a um grupo criminoso que atua no Triângulo Mineiro há cerca de 30 anos. A organização é investigada por utilizar a exploração de jogos de azar, como o jogo do bicho e as máquinas caça-níqueis, para movimentar e ocultar recursos de origem ilícita.
Segundo o Ministério Público, o fornecedor de Campinas utilizava mecanismos para tentar dar aparência legal à comercialização e à circulação dos equipamentos. Entre as estratégias identificadas estão contratos de locação considerados fraudulentos e a utilização de documentos fiscais para encobrir as operações.
As investigações também apontaram movimentações financeiras realizadas por meio de diferentes formas de pagamento. Os investigadores identificaram transações em dinheiro vivo, pagamentos com cheques e operações realizadas por intermédio de terceiros. Segundo o Gaeco, esse tipo de mecanismo dificulta o rastreamento dos valores e a identificação da origem e do destino dos recursos.
Além do grupo investigado em Minas Gerais, o fornecedor de Campinas também é suspeito de disponibilizar máquinas e equipamentos para outros grupos que atuam nos estados de Tocantins e Goiás.
A Operação Trevo Infortúnio teve sua primeira fase deflagrada em 1º de dezembro de 2022. A investigação teve como foco uma organização que, segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), atua há aproximadamente três décadas em Uberlândia com a exploração de jogos de azar e a lavagem de dinheiro.
Ao longo das investigações, o MPMG denunciou cinco pessoas por envolvimento no esquema. Três delas firmaram acordos de colaboração premiada com o Ministério Público e passaram a contribuir com informações sobre o funcionamento da organização.
Na primeira fase da operação, as autoridades conseguiram recuperar mais de R$ 27 milhões relacionados ao esquema investigado.
A segunda etapa foi realizada em 20 de abril de 2023. Na ocasião, foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão em empresas, pátios de veículos e endereços ligados a empresários e investigados nas cidades de Uberlândia, Ituiutaba e Araguari, em Minas Gerais, além de Goiânia, em Goiás.
Também houve determinação judicial para o bloqueio de bens e patrimônios de 23 investigados. Na época, o valor total das medidas chegou a aproximadamente R$ 36 milhões.
Nesta terceira fase, o foco das investigações se volta ao suposto fornecedor de máquinas instalado em Campinas, apontado como uma peça importante na estrutura de abastecimento dos grupos que exploram jogos de azar em diferentes estados.
O nome da operação faz referência a um dos símbolos encontrados pelas autoridades em locais utilizados para apostas e exploração dos jogos mantidos pelo grupo investigado.
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