Política
por Tatiana Ribeiro
Publicado em 07/10/2026, às 06h28
O ex-prefeito de Embu das Artes, na Região Metropolitana de São Paulo, Ney Santos (Republicanos) foi eleito deputado federal nas eleições realizadas neste domingo (4), com 118.566 votos. A eleição ocorre enquanto o político é alvo de acusações relacionadas a uma suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e responde a processos na Justiça.
Claudinei Alves dos Santos, conhecido como Ney Santos, é réu em uma ação por suposto comando de organização criminosa e lavagem de dinheiro. O político também já cumpriu pena por abuso de poder econômico e foi condenado em primeira instância pelo crime de porte de arma de fogo com numeração raspada.
A candidatura de Ney Santos foi questionada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que pediu a impugnação do registro. O órgão sustentou que havia elementos para impedir a candidatura diante de uma suposta vinculação do político a uma organização criminosa.
A argumentação teve como base entendimento da Justiça Eleitoral sobre a possibilidade de rejeição de candidaturas de pessoas apontadas como integrantes ou vinculadas a facções, mesmo quando ainda não existe condenação penal definitiva.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), no entanto, autorizou a candidatura. A decisão foi tomada por maioria apertada, em votação de 3 votos a 2, realizada em 15 de setembro. Com o registro mantido, Ney Santos pôde participar normalmente da disputa e recebeu mais de 118 mil votos no primeiro turno.
A decisão do TRE-SP foi contestada pelo Ministério Público Eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O recurso ordinário foi protocolado em 23 de setembro e, após a distribuição, ficou sob relatoria do ministro Floriano de Azevedo Marques. O processo aguarda análise e julgamento na Corte.
A situação jurídica do deputado eleito ainda pode sofrer alterações. Caso o TSE dê provimento ao recurso apresentado pelo MPE e determine o indeferimento do registro, a decisão terá efeitos sobre a candidatura já submetida às urnas. Nesse cenário, Ney Santos poderá perder o mandato conquistado na eleição.
As acusações contra Ney Santos envolvem, entre outros pontos, uma suposta relação com integrantes do PCC e a origem de recursos atribuídos ao político. Segundo o Ministério Público, após deixar o sistema prisional, órgãos policiais e a própria promotoria teriam recebido informações recorrentes apontando uma possível ligação de Claudinei Alves dos Santos com a facção criminosa.
Em manifestação apresentada à Justiça Eleitoral, o Ministério Público afirmou que havia notícias de que Ney Santos seria integrante do PCC e que parte de seu patrimônio teria origem em atividades relacionadas ao tráfico de drogas. As afirmações fazem parte das alegações apresentadas pelo órgão no processo e são objeto de contestação e análise judicial.
Antes de ingressar na política, Ney Santos chegou a ser preso e cumpriu dois anos de pena por roubo a banco. Posteriormente, também foi condenado por formação de quadrilha, além de responder a outros processos judiciais.
Mesmo diante das acusações e dos processos em andamento, o político construiu uma trajetória eleitoral em Embu das Artes. Foi prefeito do município e, agora, amplia sua atuação política para o Congresso Nacional após conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados.
A eleição, contudo, não encerra a disputa judicial sobre sua candidatura. O julgamento do recurso no TSE será decisivo para definir se o registro permanecerá válido e, consequentemente, se Ney Santos poderá assumir e exercer o mandato para o qual foi escolhido pelos eleitores paulistas.
Até uma eventual decisão definitiva da Justiça Eleitoral, o resultado das urnas permanece sujeito à análise do processo que tramita no TSE.
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