Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 15/09/2026, às 11h55
O policial militar Ronald Camacho, que participou da abordagem a uma apoiadora do PSOL durante uma panfletagem na Zona Oeste de São Paulo no último dia 8, também esteve envolvido em uma ocorrência dentro de uma escola municipal após uma criança desenhar a orixá Iansã em uma atividade escolar.
O tenente entrou na Emei Antônio Bento, na Zona Oeste, em novembro do ano passado, e discutiu com a diretora da unidade. Segundo imagens registradas por câmeras corporais, Camacho acusou a profissional de tentar “ditar uma ideologia” ao permitir a atividade.
O episódio mais recente envolvendo o policial ocorreu durante uma panfletagem da Bancada Feminista do PSOL e do candidato a deputado federal Guilherme Cortez, em frente à estação Vila Sônia.
A mulher, de 33 anos, foi imobilizada e algemada por agentes da PM e levada ao 89º Distrito Policial, no Jardim Taboão.
A mulher distribuía material de campanha em frente à estação do metrô, atividade permitida pela legislação eleitoral. Um vídeo gravado por uma testemunha mostra a apoiadora sendo imobilizada com o rosto no chão enquanto era algemada por três policiais.
Segundo o boletim de ocorrência, os agentes participavam de uma Operação Delegada, voltada à fiscalização de ambulantes e do comércio ilegal, e a mulher teria desobedecido a uma ordem policial.
Após ser conduzida ao 89º DP, ela foi liberada. O material de campanha acabou apreendido.
A Bancada Feminista contestou a versão apresentada pelos policiais e afirmou que a mulher já realizava panfletagem naquele local havia algum tempo. Por questões de segurança, ela decidiu não se manifestar publicamente.
A Polícia Militar informou que apura a ocorrência.
Antes da abordagem na Vila Sônia, Camacho já havia protagonizado outra ocorrência que gerou questionamentos.
Em 12 de novembro de 2025, policiais foram chamados pelo pai de uma aluna de 4 anos da Emei Antônio Bento depois que a menina desenhou Iansã, divindade presente em tradições afro-brasileiras, durante uma atividade escolar.
De acordo com o portal Metrópoles, Camacho esteve na escola e discutiu com a diretora da instituição. A conversa foi registrada pela câmera corporal de um dos agentes.
Nas imagens, o tenente afirma que a diretora teria tentado impor suas próprias regras e ideologia.
“A senhora quis impor e ditar as suas regras, ditar seu pensamento, ditar a sua ideologia”, disse o policial.
Em outro momento, Camacho afirmou que não conversaria mais com a diretora e ameaçou retornar à unidade com uma medida administrativa.
As imagens, porém, também registram o policial afirmando posteriormente que não havia crime na atuação da escola.
O episódio foi revelado após a reportagem ter acesso às imagens das câmeras corporais utilizadas pelos policiais.
Camacho também aparece em outra ocorrência de grande repercussão envolvendo uma agenda política.
Em 2022, ele teria sido responsável pela morte de um suspeito durante um evento do então candidato ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos), em Paraisópolis, na Zona Sul.
O episódio chegou a ser investigado pela Polícia Civil. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), o inquérito foi posteriormente arquivado após requisição do Ministério Público de São Paulo (MPSP).
A investigação concluiu que os fatos ocorreram “sob o manto da legítima defesa e do estrito cumprimento do dever legal”.
Camacho não responde atualmente a ação penal na Justiça Militar de São Paulo relacionada ao episódio.
Em 2024, o tenente participou de outra ação policial em Paraisópolis que terminou com uma criança negra de 7 anos ferida.
O histórico de ocorrências envolvendo Camacho foi questionado pelas reportagens diante da nova abordagem registrada na Vila Sônia.
Procurada, a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) afirmou que as providências relacionadas às ocorrências anteriores foram adotadas pelas Polícias Civil e Militar e que os procedimentos foram concluídos e encaminhados ao Poder Judiciário.
A defesa do tenente não foi localizada.
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