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Polícia identifica mulher que fez ataque racista no metrô de SP

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Polícia Civil investiga caso de injúria racial contra estudante em São Paulo, após mulher proferir ofensas em estação de metrô  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução
Tatiana Ribeiro

por Tatiana Ribeiro

Publicado em 22/10/2026, às 06h31



A Polícia Civil identificou a mulher suspeita de cometer injúria racial contra o estudante Márcio Ferreira, na noite de domingo (18), na estação Vila Sônia, da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), ela será intimada a comparecer à delegacia para prestar depoimento.


O caso ocorreu após uma manifestação de apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL), na Avenida Paulista, região central da capital paulista. Em vídeos gravados pelo estudante, a mulher aparece proferindo insultos racistas e reconhece ter chamado a vítima de “preto de bosta”.


Segundo a SSP, Márcio já prestou depoimento. Os agentes da estação que atenderam à ocorrência também foram intimados a dar esclarecimentos. A polícia informou que solicitará as imagens das câmeras de segurança para contribuir com a apuração.

O que ocorreu


Em entrevista ao g1, o estudante relatou que a discussão começou após um desentendimento político, durante o qual a mulher teria dirigido ofensas homofóbicas a um grupo de pessoas. Ele afirmou que decidiu intervir para tentar impedir que a situação terminasse em violência física.


“Falei que não precisava brigar, mesmo ela sendo bolsonarista e eu o contrário. Após eu dizer isso, ela disse: ‘Então você está com eles? Você é viado igual a eles...’ E começou a proferir as ofensas raciais”, contou.


De acordo com Márcio, as três pessoas que acompanhavam o grupo foram embora, mas ele permaneceu no local e pediu que a mulher se acalmasse e seguisse em direção à saída da estação.


O estudante afirmou que ela continuou a segui-lo pela escada rolante e, ao chegar ao piso superior, avançou em sua direção e começou a acusá-lo de agressão.


Segundo o g1, o Ministério Público informou que o Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi) solicitou a instauração de inquérito policial para investigar o episódio.


Mulher reconhece ter feito ofensa racial


Em um dos trechos da gravação, Márcio chama a mulher de racista e diz que registrou as ofensas. Ela pede que um funcionário da estação acione a polícia, alegando estar sendo agredida pelo estudante.


Durante a discussão, a mulher afirma que foi chamada de bolsonarista e admite ter utilizado uma expressão racista contra Márcio.


“Eu falei para ele que ele é um preto de bosta”, declara no vídeo. Ao ser confrontada pelo estudante, que aponta o caráter racista da fala, ela tenta justificar o comportamento mencionando a presença de pessoas negras em sua família.


“Deixa eu te mostrar a foto da minha família. Meu filho é preto. Eu sou mulher de preto também”, afirma. Na sequência, a mulher continua a ofender o estudante com expressões como “seu bosta” e “seu merda”. Márcio, por sua vez, afirma que não a insultou e que apenas a identificou como bolsonarista.


Vítima relata impacto emocional 


Após registrar boletim de ocorrência, Márcio afirmou que pretende tomar as medidas legais cabíveis. O estudante também revelou que o episódio provocou um sentimento de culpa, apesar de reconhecer que não é responsável pelas agressões verbais sofridas.


“Na hora, você se sente culpado... Culpado de ter saído de casa, de não saber como reagir. Só que eu sei que eu não tenho culpa. Mas é difícil tirar esse sentimento de culpa que a gente carrega agora. Se eu não tivesse saído de casa, se eu não tivesse nascido... Talvez isso não teria acontecido”, relatou.


O estudante destacou que o racismo não é um problema isolado e reforçou a necessidade de denunciar episódios de discriminação. “Eu sei que eu não tenho culpa de novo. A culpa não é minha. A culpa é dela. Ela é racista. Ela é criminosa”, declarou.


Márcio voltou a mencionar que a mulher tentou justificar as ofensas alegando ter um marido e um filho negros. Mesmo consciente de que não tem responsabilidade pelo ocorrido, ele afirmou que ainda sente os efeitos emocionais da situação.


“Eu pego metrô para trabalhar, eu pego metrô para estudar... Passo todos os dias ali”, lamentou.

Classificação Indicativa: Livre

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