Polícia
por Andrezza Souza
Publicado em 22/06/2026, às 21h27
O julgamento dos três policiais militares acusados de participação na morte do empresário Vinícius Lopes Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi anulado nesta segunda-feira (22) no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo.
Segundo informações da CBN, a decisão ocorreu após uma série de discussões entre o promotor de Justiça Rodrigo Merli Antunes e os advogados de defesa ao longo da sessão do Tribunal do Júri.
Antes da anulação, seis das 21 testemunhas previstas já haviam sido ouvidas. Com a decisão, será necessária a formação de um novo conselho de sentença, e todos os depoimentos terão de ser retomados. A nova data do julgamento ainda não foi divulgada.
De acordo com a CBN, um dos momentos de maior tensão ocorreu quando o promotor mencionou que um dos advogados de defesa, Mauro Ribas Junior, foi vítima de um suposto atentado em Sorocaba.
Posteriormente, durante o depoimento do perito criminal Leandro Santos Lopes, responsável pela análise dos vestígios da investigação, novos desentendimentos entre acusação e defesa elevaram os ânimos no plenário.
Ainda segundo a emissora, após questionamentos dos advogados sobre a atuação do Ministério Público, o promotor afirmou que "fala com polícia e não com matador de aluguel". A declaração provocou reação imediata da defesa e levou à interrupção temporária da sessão.
Após a retomada dos trabalhos, novas trocas de acusações ocorreram entre as partes. O promotor declarou que os advogados "parecem leões nas redes sociais, mas no tribunal são gatinhos". Já o advogado Cláudio Dalledone acusou o Ministério Público de fazer "jogo de cena" para impedir o encerramento do júri e questionou a perícia do caso, alegando contaminação na coleta e manipulação de provas.
O julgamento teve início com os depoimentos das testemunhas de acusação. Entre os réus estão os policiais militares Denis Antonio Martins e Ruan Silva Rodrigues, apontados como atiradores, e Fernando Genauro da Silva, acusado de conduzir o veículo utilizado no crime.
A primeira testemunha ouvida foi Willian Souza Santos, funcionário do Aeroporto Internacional de Guarulhos que foi baleado na mão durante o ataque. Em depoimento, ele afirmou não conhecer Fernando Genauro nem ter realizado qualquer negociação de veículo com o acusado.
Na sequência, foi ouvida Samara Oliveira, gerente de Tecnologia da Informação (TI) atingida de raspão no abdômen durante a ação criminosa. Assim como Willian, ela afirmou não conhecer os acusados nem Vinícius Gritzbach.
O momento mais marcante da sessão ocorreu durante o depoimento de Simone Novais, viúva de Celso Araújo de Novais, motorista de aplicativo morto durante o atentado.
Conforme relatado pela CBN, Simone contou que, cerca de 40 minutos antes do crime, o marido havia ligado informando que tinha conseguido o dinheiro necessário para quitar uma prestação atrasada do carro da família. Ela também relembrou que um dos filhos havia pedido comida japonesa naquela noite e que Celso decidiu realizar mais algumas corridas antes de voltar para casa.
Segundo a viúva, a última vez que a família viu o motorista foi já internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Além dela, também prestaram depoimento o perito responsável pela análise dos vestígios do caso e um policial militar.
Com a anulação do julgamento, o processo deverá retornar para a etapa de formação de um novo conselho de sentença. Todas as testemunhas voltarão a ser ouvidas quando o Tribunal de Justiça definir uma nova data para a realização do júri.
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