Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 26/06/2026, às 13h54
As investigações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sobre o empresário Alex Leandro Bispo dos Santos ganharam novos desdobramentos devido às suas conexões com o meio audiovisual e político.
Santos, apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), é também acusado de matar sua companheira e sócio de uma empresa vinculada à produtora responsável por "Dark Horse", documentário que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Além disso, ele está envolvido em mais de 60 processos judiciais, de acordo com o g1.
O elo do suspeito com a produção cinematográfica foi mapeado a partir do endereço de funcionamento das empresas.
A produtora do filme "Dark Horse" opera no mesmo imóvel que serve de sede para o Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma organização não governamental comandada pela empresária Karina Ferreira da Gama.
Karina é proprietária da Go UP Entertainment, a empresa responsável pela realização do documentário sobre o ex-presidente.
A proximidade física e estrutural entre as entidades chamou a atenção da Polícia Civil e do MP durante a operação que apura supostas irregularidades em um contrato de R$ 157 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de sinal de Wi-Fi gratuito na periferia da capital.
O ICB subcontratou a empresa de Alex Leandro, a Favela Conectada, repassando valores que inicialmente somavam R$ 12 milhões para a execução dos serviços tecnológicos nas comunidades.
Documentos coletados apontam que a Favela Conectada faturou mais de R$ 3,8 milhões por instalar cerca de 900 pontos de internet.
O promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), detalhou que o empresário possui histórico criminal extenso, incluindo passagens por presídios que abrigam lideranças do PCC no interior do estado.
Atualmente, Santos está preso preventivamente sob a acusação de feminicídio pela morte de sua companheira, Maria Katiane Gomes da Silva, ocorrida no final de 2025.
A defesa do ex-presidente e os envolvidos no projeto audiovisual não comentaram diretamente o teor da produção do documentário, focando nas justificativas técnicas das contratações.
O ICB e Karina Gama ressaltaram que a escolha da prestadora de serviços seguiu critérios estritamente operacionais e documentais da época, e que a instituição rescindiu imediatamente os contratos assim que tomou conhecimento das acusações que pesavam contra ele.
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