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O Banco Central do Brasil determinou, nesta quarta-feira, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida no mercado como Will Bank.
A medida foi adotada como desdobramento direto da liquidação do Banco Master, decretada em novembro de 2025, e amplia os efeitos do processo iniciado contra o conglomerado financeiro.
A decisão está formalizada em ato assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo. Segundo o documento, a medida se baseia no grave comprometimento da situação econômico financeira da instituição, na caracterização de insolvência e no vínculo societário e operacional mantido com o Banco Master, segundo o InfoMoney.
O regulador concluiu que não havia condições de recuperação da empresa, optando pelo encerramento definitivo das atividades.
Com a liquidação extrajudicial, os Certificados de Depósito Bancário emitidos pela Will Financeira passam a ser cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos. A proteção segue o limite legal de até R$ 250 mil por CPF, considerando o conjunto de instituições associadas.
A garantia busca reduzir perdas e preservar a confiança no sistema financeiro, especialmente entre pequenos e médios investidores.
O FGC já iniciou, nesta semana, os pagamentos referentes aos CDBs do Banco Master, em um processo considerado o maior ressarcimento da história do fundo. Estão previstos repasses de aproximadamente R$ 40,6 bilhões a cerca de 800 mil investidores.
Até agora, centenas de milhares de pedidos já foram registrados e uma parcela significativa dos credores concluiu a solicitação.
O Banco Central nomeou como liquidante a empresa EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda., a mesma responsável pela condução do processo do Banco Master. Com isso, ficam indisponíveis os bens dos controladores e ex administradores da Will Financeira, além de pessoas jurídicas ligadas ao grupo.
O bloqueio patrimonial é uma medida padrão para preservar recursos e apurar responsabilidades, segundo o BC.
A liquidação extrajudicial é aplicada quando a autoridade monetária entende que a situação da instituição é irreversível. Nesse regime, as operações são encerradas, a empresa é retirada do sistema financeiro nacional e os dirigentes perdem qualquer poder de gestão.
O modelo difere do regime de administração especial temporária, que mantém as atividades em funcionamento enquanto se busca uma solução.
Fundado em 2017 e adquirido pelo Banco Master em 2024, o Will Bank encerrou o primeiro semestre com cerca de R$ 14,4 bilhões em ativos.
O banco registrou prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido próximo de R$ 300 milhões, conforme dados oficiais. Os números reforçaram a avaliação de fragilidade financeira feita pelo regulador.
Inicialmente, ao decretar a liquidação do Banco Master, o BC havia preservado o Will Bank sob administração especial, apostando na possibilidade de venda do negócio. A negociação, porém, não avançou.
Antes mesmo do anúncio oficial da liquidação, a bandeira Mastercard deixou de aceitar transações com cartões do banco, após operações não terem sido honradas, aprofundando a crise que culminou no encerramento das atividades.
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