Política
por Amanda Ambrozio
Publicado em 22/06/2026, às 15h54
As movimentações políticas recentes no estado de São Paulo desenham um panorama inédito para a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
Com as saídas de Paulo Serra (PSDB) e Kim Kataguiri (Missão) da corrida eleitoral, especialistas apontam que o estado pode registrar, pela primeira vez desde a redemocratização.
Uma eleição polarizada entre apenas dois candidatos competitivos com representação na Câmara: o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT).
Diante do esvaziamento de uma terceira via expressiva, cientistas políticos avaliam que a probabilidade de a eleição paulista ser definida ainda no primeiro turno é elevada, uma vez que a ausência de outras siglas de grande porte pulverizando os votos concentra o eleitorado entre os dois polos.
Para tentar romper a polarização e forçar a existência de um segundo turno, partidos de oposição articulam alternativas estratégicas, segundo o g1.
O ex-ministro Márcio França (PSB), que inicialmente era cotado para compor a chapa de Fernando Haddad, voltou a dialogar com a cúpula petista sobre a possibilidade de lançar uma candidatura própria.
A tática consiste em criar uma "dobradinha" de oposição.
Por não pertencer ao PT, França possui maior interlocução com o eleitorado do interior paulista, região historicamente marcada pelo antipetismo.
Haddad e França atuariam de forma conjunta em debates e redes sociais para desgastar a imagem de Tarcísio de Freitas, focando em temas sensíveis da atual gestão, como segurança pública, transporte e a privatização da Sabesp.
A movimentação preservaria as pré-candidaturas de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), que lideram a corrida para as duas vagas disponíveis ao Senado por São Paulo.
A antecipação do cenário de segundo turno para a primeira fase da eleição estadual gera impactos diretos na disputa pela Presidência da República, especialmente para a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
Especialistas alertam que, caso Tarcísio de Freitas garanta a reeleição logo no primeiro turno, o maior colégio eleitoral do país pode sofrer com a desmobilização de apoiadores e o aumento da abstenção na segunda rodada da eleição presidencial.
Por outro lado, uma vitória consolidada no primeiro turno transforma Tarcísio em um forte cabo eleitoral livre para focar exclusivamente na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, atuando como fiador político de sua candidatura no estado.
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