Política
por Bernardo Rego
Publicado em 25/09/2026, às 17h09
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) formou maioria nesta sexta-feira (25) para manter o procurador-geral da República, Paulo Gonet, nas investigações relacionadas ao Banco Master que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). O placar está em 6 a 0 contra o afastamento do PGR.
Prevalece o posicionamento do relator da matéria, o subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino, que votou pelo arquivamento integral da notícia-crime feita pelo Partido Novo. A legenda levantou suspeitas de que Gonet possa ter prevaricado na condução do caso.
Porém, em outro julgamento que acontece também nesta sexta-feira o placar está em 3 a 3 sobre o aprofundamento da apuração envolvendo Gonet. O relator, Francisco Sanseverino, e os conselheiros Celso de Albuquerque e Alexandre Camanho votaram pelo arquivamento do pedido de investigação. Janice Ascari, Samantha Chantal e José Adônis divergiram e defenderam a designação de um subprocurador-geral da República para aprofundar a análise.
Votaram com o relator, no sentido de manter Gonet no caso Master, os conselheiros Celso de Albuquerque Silva e Janice Agostinho Barreto Ascari. A subprocuradora, contudo, divergiu em relação ao arquivamento, afirmando haver pontos que merecem ser melhor esclarecidos.
O Conselho Superior é o órgão de cúpula do MPF, composto por nove subprocuradores-gerais da República, responsáveis, entre outras atribuições, por autorizar investigações que tenham o PGR como alvo.
A representação do Novo foi apresentada com base em diferentes menções ao PGR em anotações e mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do aparelho celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. Para a legenda, as menções a Gonet colocam em dúvida a atuação do PGR.
Para Sanseverino, a representação não apresentou elementos que permitissem suspeitar do cometimento de crime pelo PGR.
“Em primeiro lugar, cabe lembrar que não se pode examinar frases (ou troca de mensagens) de forma isolada e/ou descontextualizada para não criar uma situação artificial e que não corresponda à realidade dos fatos”, disse o relator.
Ele afirmou que, após analisar o caso, constatou que “a atuação do PGR e do Gabinete do PGR [no caso Master] seguiram os princípios da legalidade, da utilidade e eficiência da persecução penal, bem como respeitou o princípio da independência funcional”.
Em seu voto, Sanseverino apontou que “o PGR se manifestou, em diversas ocasiões pela manutenção da prisão preventiva do investigado Daniel Vorcaro; em outros pedidos e incidentes, cuidou de garantir que a investigação tivesse curso célere, adequado e eficaz, mediante a apuração dos fatos, a delimitação dos tipos penais, e a revelação da pena de cada um dos envolvidos".
Sobre uma fotografia que veio à tona na semana passada, em que Gonet aparece segurando um charuto numa mesa com copos de uísques junto com outras pessoas, entre elas, Vorcaro, o subprocurador Sanseverino também considerou não ser indício o bastante de amizade íntima.
Para o relator, “tratou-se de fato isolado e encontro superficial e social, na presença de diversas pessoas”. A foto foi tirada em 2024, quando Gonet viajou a Londres, com as despesas pagas, para participar de um fórum jurídico que era patrocinado pelo Master, entre outras empresas.
“Se, a partir desse encontro em ambiente social, de forma isolada e superficial, na presença de outras pessoas, entre o PGR, Daniel Vorcaro e outros convidados, criou no investigado Daniel Vorcaro a expectativa de se criar, a partir daí, algum tipo de relação, vínculo ou vantagem em face do PGR, é lícito afirmar que os fatos posteriores, depois de o PGR tomar conhecimento da investigação criminal do caso Master, não confirmaram essa eventual expectativa”, acrescentou Sanseverino.
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