Política
por Amanda Ambrozio
Publicado em 14/09/2026, às 15h45
A Enel Distribuição São Paulo reduziu em 59,7% o tempo médio de atendimento a emergências nos primeiros sete meses de 2026, na comparação com o mesmo período de 2023.
O levantamento, feito com dados disponibilizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mostra que o indicador caiu de 759 para 306 minutos, de 12 horas e 39 minutos para 5 horas e 6 minutos.
Na prática, a diferença representa cerca de sete horas e meia a menos por ocorrência, em média, entre os dois períodos analisados.
A melhora também fez a Enel avançar no ranking entre as maiores distribuidoras do país.
Considerando 33 empresas que atendem mais de 500 mil unidades consumidoras, a companhia paulista passou da terceira pior média de atendimento em 2023 para a quinta melhor em 2026.
O Tempo Médio de Atendimento a Emergências (TMAE) é um dos indicadores utilizados pela Aneel para acompanhar a capacidade das distribuidoras de responder a ocorrências emergenciais. Quanto menor o tempo registrado, mais rápida é, em média, a atuação para restabelecer o fornecimento.
A evolução da Enel ocorreu de forma gradual. Em 2024, o tempo médio caiu para 680 minutos. No ano seguinte, chegou a 434 minutos. Já nos primeiros sete meses de 2026, o indicador recuou para 306 minutos.
Somente entre 2025 e 2026, a redução foi de 29,6%.
Entre as 33 distribuidoras analisadas, 19 conseguiram diminuir o tempo médio de atendimento entre 2023 e 2026, enquanto 14 registraram aumento.
A CPFL Piratininga apresentou o menor TMAE entre as empresas avaliadas em 2026, com média de 180 minutos, ou três horas.
No entanto, o indicador não deve ser interpretado como uma medição de todos os apagões enfrentados pelos consumidores.
A metodologia da Aneel exclui os chamados “expurgos”, que incluem situações consideradas excepcionais, como ciclones, alagamentos extremos e outros eventos fora do controle operacional das distribuidoras.
Segundo Guilherme Lencastre, presidente da Enel São Paulo, a companhia contratou cerca de 1.600 profissionais e investiu aproximadamente R$ 5 bilhões em ações de modernização, expansão e aumento da resiliência da rede elétrica.
A empresa também afirma ter duplicado o volume anual de podas de árvores, uma das medidas utilizadas para reduzir ocorrências provocadas pelo contato da vegetação com a rede.
“Reduzimos em cerca de 60% o tempo médio de atendimento aos clientes e saltamos para a 5ª posição no ranking das 33 distribuidoras avaliadas. Trata-se de uma evolução expressiva, a maior entre todas as distribuidoras (...). Esses resultados comprovam que estamos no caminho certo e reforçam nossa capacidade de seguir investindo, dando continuidade ao ciclo de melhorias”, afirmou Lencastre.
Segundo a CNN Brasil, o levantamento considera apenas o período de janeiro a julho de cada ano, portanto não representa o desempenho anual das distribuidoras. A comparação entre empresas também precisa levar em conta diferenças no número de consumidores, extensão das redes, características das áreas atendidas e condições climáticas.
A redução do tempo de atendimento ocorre em meio ao processo administrativo instaurado pela Aneel que pode resultar na perda da concessão da Enel São Paulo.
O procedimento foi aberto após a agência analisar falhas atribuídas à distribuidora durante eventos climáticos severos registrados em 2023, 2024 e 2025, períodos em que milhões de consumidores ficaram sem energia por longos períodos.
Na decisão que abriu o processo, em 7 de abril, a Aneel apontou problemas como demora no restabelecimento do serviço, aumento de interrupções superiores a 24 horas e falhas no planejamento e na execução de planos de contingência.
A agência afirmou que as medidas adotadas pela empresa não haviam sido suficientes para solucionar os problemas identificados.
“A melhora pontual de indicadores ou de resposta a eventos específicos não afasta a caracterização de inadequação do serviço”, registrou a Aneel na decisão.
O posicionamento, porém, foi feito antes do fechamento do período de janeiro a julho de 2026 utilizado no levantamento da reportagem.
Nas alegações finais apresentadas neste mês, a Enel contestou os critérios utilizados pela Aneel e pediu a anulação do processo.
A empresa sustenta que cumpre os indicadores regulatórios relacionados à duração e à frequência das interrupções de energia.
A distribuidora também questiona a existência de uma métrica previamente definida para determinar o tempo de restabelecimento do serviço após eventos climáticos severos.
O processo ainda será analisado pela Aneel. Ao final, a agência deverá decidir se recomenda ao Ministério de Minas e Energia a caducidade do contrato, medida que representaria o encerramento antecipado da concessão por descumprimento de obrigações. A decisão final, nesse caso, caberá ao ministério.
Atualmente, a Enel São Paulo atende cerca de 8,9 milhões de unidades consumidoras em 24 municípios paulistas, incluindo a capital.
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