Política
por Marcela Guimarães
Publicado em 07/01/2026, às 14h58
Vem circulando nas redes sociais uma história falsa envolvendo um homem identificado como Jurandir Marcelino dos Reis, apelidado de “Fofucho do Bolsonaro”.
As publicações afirmam que ele teria morrido ao tentar cavar um túnel para libertar o ex-presidente da prisão, o que não é verdade.
O conteúdo enganoso utiliza um vídeo que imita o formato de um telejornal, com apresentadora e narrativa típica de reportagem.
Nele, é exibida a mensagem “Está desaparecido ‘Fofucho do Bolsonaro’”, enquanto a suposta âncora afirma que Jurandir teria se afogado após atingir uma tubulação durante a escavação do túnel e que o corpo ainda não havia sido localizado.
Tudo isso, no entanto, foi criado com o uso de inteligência artificial (IA). A apuração foi realizada pelo UOL, que não encontrou registros reais sobre o episódio.
O vídeo também exibe uma foto que supostamente identificaria Jurandir no meio de apoiadores de Bolsonaro.
A imagem, porém, passou por edição. Uma busca revelou que o registro original foi feito pelo fotógrafo Sérgio Lima, do site Poder360, durante um ato pró-Bolsonaro em Brasília, no dia 7 de setembro de 2021.
Na fotografia verdadeira, o homem que segura a bandeira não tem barba, detalhe que aparece apenas na versão adulterada usada nas publicações falsas.
Outro trecho do vídeo apresenta uma suposta entrevista com a mulher de Jurandir. Esse material foi analisado pela Hive Moderation, ferramenta especializada em detectar conteúdos feitos por IA.
O resultado indicou 100% de probabilidade de o vídeo ter sido produzido por inteligência artificial.
Procurado, o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal afirmou que não existe registro de ocorrências semelhantes nos últimos 30 dias e que não há qualquer informação sobre afogamento em túnel na região.
A corporação também destacou a importância de consumir informações de fontes oficiais e veículos comprometidos com a checagem dos fatos, fugindo das fake news.
Uma busca pelo nome completo de Jurandir Marcelino dos Reis não entrega resultados em fontes oficiais nem em veículos de imprensa confiáveis. As únicas menções ao suposto episódio aparecem em postagens que replicam o conteúdo falso.
Se o caso fosse real, haveria ampla repercussão jornalística, manifestações de autoridades e reações públicas de apoiadores do ex-presidente. Nada disso ocorreu.
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