Política
por Amanda Ambrozio
Publicado em 28/05/2026, às 13h32
Nessa quinta-feira (28), O BNews SP acompanhou a coletiva de imprensa na sede do MP-SP da Operação Fluxo Oculto, a segunda parte da Operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025.
Desta vez, o objetivo foi desmantelar o sistema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis e fintechs.
A força-tarefa, que reúne o Ministério Público, a Receita Federal, a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a Polícia Militar e a Secretaria da Fazenda, revelou como organizações criminosas se reestruturaram após a primeira fase das investigações.
De acordo com as autoridades, o esquema atual se baseia no desvio de nafta petroquímica para a adulteração de combustíveis, visando reduzir a carga tributária e maximizar lucros na venda de combustível agrícola.
Um dos pontos centrais da coletiva foi a utilização estratégica de Fintechs para ocultar a origem ilícita do capital.
Segundo as autoridades, a composição dessas instituições, especificamente a existência das "contas-bolsões", permitia uma blindagem patrimonial que camuflava a conexão entre o cliente e as transações financeiras.
A investigação detalhou que a organização criminosa, que anteriormente utilizava três Fintechs, passou a operar com seis após a primeira fase da operação, gerando uma movimentação identificada de aproximadamente R$ 4 bilhões.
Durante a coletiva, Julio Nishida, diretor da ANP, explicou a natureza técnica do produto utilizado no esquema criminoso.
Ele destacou que a nafta é um insumo da cadeia petroquímica que, quando desviado de sua finalidade original (como a produção de solventes ou uso industrial), é utilizado para "alterar o combustível de forma a reduzir a imposição de impostos e garantir um maior lucro na venda de combustível agrícola".
Nishida reforçou que a estratégia das autoridades é "subir o andar" para chegar na origem do problema, rastreando o produto desde a importação e produção até a distribuição final.
O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, destacou que o trabalho foi possível graças às informações prestadas por Fintechs sob a nova lei financeira, combatendo um antigo vácuo regulatório.
Para ele, a operação representa um avanço. "Esse é o caminho para,definitivamente, atacarmos e desmantelarmos as organizações criminosas aqui no nosso país", declarou.
Contudo, o crime continua a se reciclar: das seis Fintechs alvo da operação de hoje, três não entregaram os dados da rede financeira e serão autuadas pela Receita.
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