Política

Gilmar Mendes alega "erro crasso" de André Mendonça sobre delação seletiva de Daniel Vorcaro

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Ministro do STF disse que integrantes da Corte não devem negociar colaborações premiadas  |   BNews SP - Divulgação Fellipe Sampaio/SCO/STF
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 23/06/2026, às 09h03



Em entrevista concedida ao programa Roda Viva da TV Cultura na noite desta segunda-feira (22) o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, afirmou que o ministro André Mendonça cometeu um "erro crasso" ao se envolver nas negociações da delação premiada de Daniel Vorcaro.

Segundo o decano do STF, a negociação em torno de uma colaboração premiada é atribuição da Polícia Federal e do Ministério Público. "Na conversa que nós tivemos, por exemplo, disse-se que o André Mendonça tinha recebido um advogado fazendo proposta de delação seletiva. E aqui já há uma impropriedade, porque a lei não permite que o relator participe, ou que o juiz participe, da delação entre o Ministério Público ou a Polícia Federal e o delator", esclareceu Gilmar Mendes. 
"Então, aqui já há algo de erro crasso. Se está participando de conversas ou se está expulsando advogados do processo, isso tem algo de errado", acrescentou o ministro. 


A proposta de uma "delação seletiva" foi mencionada por Mendonça durante seu voto no julgamento que analisava os recursos de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, contra suas prisões preventivas. Mendonça também afirmou que a defesa apresentou a ele a primeira proposta de delação, mas disse que não teve acesso ao conteúdo do material.

Nova delação

Sobre a uma nova proposta de colaboração premiada por parte do ex-banqueiro, Gilmar Mendes disse achar improvável a homologação de uma nova delação de Vorcaro. O ministro, contudo, ponderou que informações ou desdobramentos da investigação podem mudar esse quadro. "As coisas podem mudar", ponderou.

A aliados, Vorcaro tem dito que nesta terceira tentativa de delação pretende juntar um material "mais robusto" aos documentos. A expectativa, segundo fontes, é que a proposta de colaboração seja entregue à PF já nos próximos dias.

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