Política
por Marcela Guimarães
Publicado em 17/03/2026, às 10h30 - Atualizado às 10h32
As tarifas de energia elétrica no Brasil devem registrar um aumento médio de 8% em 2026, segundo análises da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O percentual previsto é praticamente o dobro da projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que está em 4,1%, conforme o boletim Focus divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira (16).
A expectativa surge em um cenário de aumentos que ocorre em diferentes regiões do país. Em janeiro, a Aneel aprovou um reajuste médio de 24,13% para a Roraima Energia.
Mais recentemente, também foram autorizados aumentos de 8,6% nas tarifas da Light e de 15,6% para os consumidores atendidos pela Enel Rio.
De acordo com a agência reguladora, o principal motivo para a disparada das tarifas está no crescimento dos encargos do setor elétrico, com destaque para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).
O fundo, pago pelos próprios consumidores, é utilizado para financiar subsídios e políticas públicas do setor, apresentando aumentos ao longo dos últimos anos.
Dados da Aneel indicam que os encargos vêm avançando em um ritmo superior ao da inflação e até mesmo das tarifas de distribuição. Esse movimento tem aumentado o impacto em cima do valor final pago pelos consumidores.
Alguns dos principais fatores que influenciam o reajuste são:
Além disso, os componentes financeiros sozinhos respondem por cerca de 3,8 pontos percentuais do efeito médio nas tarifas, enquanto despesas com energia, transmissão e encargos setoriais também contribuem para a alta.
A Aneel ressalta que a estimativa para 2026 ainda pode sofrer alterações ao longo do ano.
Os fatores que podem influenciar os valores finais são as revisões tarifárias das distribuidoras, as condições hidrológicas e possíveis mudanças nos gastos do setor.
A agência também estuda opções para diminuir parcialmente o impacto das tarifas em algumas regiões. Uma das medidas em análise envolve o uso de recursos provenientes da repactuação de pagamentos de geradoras pelo uso de bens públicos.
Esses valores poderiam ser direcionados para amenizar o custo da energia em áreas atendidas por programas de desenvolvimento regional, como Sudam e Sudene.
*Com apuração da CNN Brasil
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