Política
por Andrezza Souza
Publicado em 31/08/2026, às 23h45
O Ministério Público Eleitoral de São Paulo (MPE-SP) arquivou a apuração sobre a suposta intimidação do motorista do candidato ao governo paulista Fernando Haddad (PT) durante uma abordagem envolvendo viaturas da Polícia Militar.
O arquivamento ocorreu porque o procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt não identificou indícios de crime eleitoral ou de participação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em eventual ilícito eleitoral.
Apesar disso, o procurador considerou pouco plausível a explicação de que a presença das viaturas tenha sido apenas uma coincidência.
“O exame crítico dos elementos fáticos e cronológicos afasta por completo a verossimilhança de uma ‘mera coincidência’ no patrulhamento ordinário.”
Segundo Taubemblatt, três viaturas tiveram contato com o veículo utilizado pelo motorista de Haddad em um intervalo de pouco menos de uma hora.
A defesa do motorista apresentou à Polícia Civil uma perícia sobre imagens de câmeras de segurança. O documento sustenta que uma viatura permaneceu estacionada nas proximidades do hotel onde o motorista havia deixado Haddad.
O primeiro contato com uma viatura ocorreu por volta das 21h45, próximo à residência do candidato. Depois de deixar Haddad em casa, o motorista relatou ter sido acompanhado por cerca de cinco quilômetros até um hotel na Rua Joinville, na Vila Mariana.
Às 22h24, outra viatura entrou na rua do hotel e parou no local. Um minuto depois, um policial apareceu ao lado de um veículo com a lanterna ligada.
De acordo com a perícia apresentada pela defesa, as imagens indicam que a viatura permaneceu na região mesmo depois que o motorista deixou o local, às 22h26.
O laudo também aponta a presença de um policial a pé por volta das 22h36. Segundo a análise, as viaturas só deixaram a área por volta das 22h56.
Haddad afirmou que o documento reforçou a versão apresentada pelo motorista.
“A viatura ficou estacionada 20 minutos naquele local. Não foi um minuto, nem dois minutos, foram mais de 20 minutos.”
Embora o MPE tenha encerrado a apuração eleitoral, o caso continua sendo investigado pela Polícia Civil de São Paulo.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que concluiu uma investigação preliminar conduzida pela Polícia Militar. O procedimento tem 383 páginas e reúne imagens de câmeras, dados de localização das viaturas, registros operacionais e depoimentos.
Segundo a pasta, não foram encontrados indícios de transgressão disciplinar, crime militar ou crime comum atribuíveis aos policiais investigados.
A apuração da Polícia Civil ocorre separadamente e permanece em andamento.
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