Política

Mudanças climáticas aceleram o ciclo dos mosquitos e ampliam risco de arboviroses no Brasil

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Elevação da temperatura e da umidade acelera o ciclo de desenvolvimento dos mosquitos transmissores e expande a proliferação de doenças  |   BNews SP - Divulgação Foto: Divulgação/Agência Pará
Marina do Val

por Marina do Val

Publicado em 09/09/2026, às 21h40



O avanço global das mudanças climáticas tem se desdobrado em um impacto direto na saúde pública brasileira: a expansão geográfica e a intensificação das arboviroses, como dengue, chikungunya, zika e febre oropouche. 

A combinação de temperaturas médias mais elevadas com períodos de umidade intensa altera o ecossistema e acelera o ciclo reprodutivo dos vetores transmissores.

O impacto do aquecimento no ciclo dos vetores

Em condições normais de temperatura, o desenvolvimento do mosquito Aedes aegypti, desde a eclosão do ovo até a fase adulta, costuma levar entre 7 e 10 dias. 

No entanto, com o aumento das temperaturas e a presença de precipitações frequentes, esse processo se encurta significativamente. 

O calor acelera o metabolismo das larvas e pupas, fazendo com que novos vetores cheguem à fase adulta em prazos reduzidos. 

Além disso, altas temperaturas aumentam a frequência das picadas das fêmeas do mosquito e encurtam o período de incubação extrínseca do vírus dentro do vetor. 

Como consequência, meses tipicamente mais frios ou secos passam a registrar episódios de calor fora do comum, estendendo a janela de transmissão das doenças ao longo de quase todo o ano.

Reconfiguração geográfica e desafios da saúde

A alteração dos padrões climáticos não afeta apenas a intensidade dos surtos, mas também a distribuição das doenças pelo país. 

Regiões do Sul e áreas serranas, historicamente protegidas pelo clima mais frio, começam a apresentar condições favoráveis à sobrevivência e reprodução dos mosquitos ao longo de quase todos os meses. 

Na Amazônia, onde a diversidade de vírus, vetores e hospedeiros animais é vasta, as transformações ambientais e o desmatamento aumentam as chances de transbordamento de vírus como o Mayaro e o Oropouche para áreas urbanas. 

Ao mesmo tempo, episódios de secas prolongadas seguidas por tempestades intensas favorecem o acúmulo inadequado de água pelas populações locais, criando novos criadouros em áreas sem saneamento básico adequado.

Estratégias de adaptação

Em apuração da Folha de São Paulo, especialistas e órgãos de saúde pública reforçam que o combate às arboviroses diante das transformações do clima exige estratégias integradas que vão além dos métodos tradicionais de controle mecânico. 

Torna-se essencial fortalecer a vigilância epidemiológicaa para monitorar mutações virais e padrões de infestação em tempo real. 

Paralelamente, ganham força as inovações em controle vetorial, como a expansão da liberação de mosquitos com a bactéria Wolbachia, capazes de inibir a transmissão dos vírus. 

Por fim, o investimento contínuo em saneamento e planejamento urbano permanece como pilar fundamental para mitigar o armazenamento inadequado de água e prevenir a proliferação dos mosquitos.

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