Política

PL da Dosimetria: Congresso derruba veto de Lula e muda cálculo de penas para favorecer Bolsonaro

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado.
Nova regra altera forma de aplicar penas por atos antidemocráticos e pode reduzir tempo de condenação, com efeitos diretos em casos já julgados  |   BNews SP - Divulgação Foto: Geraldo Magela/Agência Senado.
Bianca Novais

por Bianca Novais

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Publicado em 30/04/2026, às 16h35



O Congresso Nacional decidiu, nesta quinta-feira (30), derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao chamado “PL da Dosimetria”, abrindo caminho para mudanças no cálculo de penas relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. As informações são do g1.

A decisão foi tomada com ampla maioria nas duas Casas, superando o mínimo necessário para rejeitar o veto presidencial.

Idosa no Congresso Nacional em defesa de homem condenado por participar dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.
Idosa no Congresso Nacional em defesa de homem condenado por participar dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.

Na Câmara dos Deputados, 318 parlamentares votaram a favor da derrubada, enquanto 144 foram contrários.

No Senado, o placar foi de 49 votos pela rejeição do veto e 24 contra. Com isso, o texto segue agora para promulgação, etapa final antes de entrar em vigor.

O que muda na prática?

O principal ponto da proposta é a alteração na forma de aplicar penas em casos envolvendo crimes contra o Estado Democrático de Direito.

O texto impede a soma de condenações por dois tipos penais — abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado — determinando que seja considerada apenas a pena do crime mais grave, com acréscimo que varia de um sexto até a metade.

Além disso, a lei prevê redução de pena entre um e dois terços quando os crimes forem cometidos em contexto de multidão, desde que o condenado não tenha financiado os atos nem ocupado posição de liderança. A medida pode beneficiar ao menos 190 pessoas já condenadas, segundo estimativas do Supremo Tribunal Federal.

Efeito sobre Bolsonaro

Entre os possíveis beneficiados está o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar por questões de saúde, mas ainda sob regime fechado após condenação de 27 anos e três meses por tentativa de golpe e outros crimes. Pelas regras anteriores, a progressão de regime só ocorreria em 2033.

Com a nova legislação, especialistas avaliam que a mudança de regime pode acontecer em um prazo entre dois e quatro anos, antecipando significativamente essa transição.

Manobra para evitar conflito

Antes da votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, adotou uma estratégia incomum ao retirar um trecho do projeto que poderia gerar conflito com outra legislação em vigor, a chamada Lei Antifacção. Esse segmento facilitava a progressão de regime para condenados por crimes graves, como feminicídio e crimes hediondos.

Ao declarar a “prejudicialidade” dessa parte, o Senado evitou que a derrubada do veto reintroduzisse regras mais brandas para esses crimes, permitindo que o restante do projeto fosse aprovado sem alterações nesse ponto.

Próximos passos

Com a decisão do Congresso, o texto será encaminhado para promulgação. O presidente da República tem até 48 horas para oficializar a lei. Caso isso não ocorra, a responsabilidade passa ao presidente do Senado e, posteriormente, ao vice-presidente da Casa.

Mesmo após a entrada em vigor, a nova legislação ainda poderá ser questionada no Supremo Tribunal Federal, que terá a palavra final sobre sua constitucionalidade. A votação ocorre em um momento de tensão entre Executivo e Legislativo, marcado por recentes divergências institucionais.

Classificação Indicativa: Livre

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