Política
por Tatiana Ribeiro
Publicado em 29/10/2026, às 11h08
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (29) que não gostou da carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro, derrotado na eleição presidencial, na qual fez declarações contestando o resultado das urnas. O dirigente partidário deu a declaração ao chegar ao condomínio onde o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, em um encontro autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Não gostei”, respondeu Valdemar aos jornalistas ao ser questionado sobre o documento. O presidente do PL chegou ao local por volta das 9h e afirmou que pretendia conversar com Jair Bolsonaro sobre os rumos do partido e os acontecimentos recentes.
“Estou com saudade do Bolsonaro, tem muito tempo que eu não vejo ele. [...] Vai ser boa a conversa porque eu vou levar muitas novidades pra ele, contar como é que tá toda a situação pra ele e vai dar tudo certo”, declarou para a CNN.
A reunião ocorre em meio à reorganização do PL após a derrota de Flávio para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, realizado no domingo (25). Lula recebeu 64,2 milhões de votos, o equivalente a 51,79% dos válidos, enquanto o senador obteve 59,8 milhões, ou 48,21%.
Na primeira versão da carta, Flávio se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A publicação foi apagada minutos depois e substituída por outra, na qual o senador passou a se definir como “líder” do país.
O parlamentar manteve acusações de fraude eleitoral, mas não apresentou provas, e afirmou que pretendia liderar a oposição ao governo Lula a partir do exterior. A versão inicial do documento também exibia um brasão histórico da República com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, antiga denominação oficial do país.
A posição de Flávio divergiu da manifestação oficial do PL. Após o segundo turno, a legenda divulgou uma nota assinada por Valdemar reconhecendo o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial, também declarou que o núcleo político da candidatura não havia sido informado previamente sobre a decisão de Flávio de deixar o país.
A carta provocou reações no meio político e no Judiciário. Horas após a divulgação do texto, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, reafirmou que o processo eleitoral ocorreu dentro da normalidade e em conformidade com as regras constitucionais.
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