Polícia
por Tatiana Ribeiro
Publicado em 29/10/2026, às 10h01
O primeiro dia do júri popular do empresário Fernando Sastre, acusado de provocar o acidente que matou o motorista de aplicativo Ornaldo Silva, foi marcado pelo depoimento de nove testemunhas. Entre elas estavam Marcus Vinicius Machado Rocha, amigo do réu que estava no Porsche 911 no momento da colisão, e Lucas Morais da Silva, filho mais velho da vítima.
O julgamento ocorre no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. Nesta quinta-feira (29), está previsto o interrogatório de Sastre perante os jurados.
Marcus Vinicius, que sofreu fraturas em quatro costelas e perdeu o baço após a batida, afirmou ter sido intimidado e afastado por amigos depois de relatar o que considera ter acontecido naquela noite. Segundo ele, pessoas próximas ao empresário pediram que mentisse ou amenizasse os fatos para proteger o réu. Ao se recusar, disse ter sido chamado de traidor.
“Lembrar de tudo o que aconteceu dói muito, porque não foi só o ato. Depois de muitas atitudes, perdi todos os amigos em comum, ninguém mais fala comigo”, declarou.
Marcus foi a primeira testemunha ouvida no plenário. Também estavam previstos os depoimentos de Giovanna Pinheiro Silva, então namorada de Sastre, e Juliana de Toledo Simões, que namorava Marcus na época do acidente, ocorrido em 31 de março de 2024. Apenas Juliana prestou depoimento.
Giovanna havia sido arrolada pela defesa do empresário. A Justiça chegou a determinar sua condução coercitiva, mas os advogados de Sastre desistiram de ouvi-la. A jovem acompanhou parte do julgamento na plateia, mas deixou o plenário após solicitação do promotor de Justiça Rodolfo Justino Morais.
Conforme os depoimentos, os quatro amigos se encontraram em um restaurante por volta das 21h, onde consumiram comidas e bebidas. Depois, seguiram para uma casa de pôquer.
Já durante a madrugada, decidiram deixar o estabelecimento. Segundo os relatos de Marcus Vinicius e Juliana, Sastre e Giovanna discutiram porque ela não queria que o empresário dirigisse após consumir bebidas alcoólicas.
As testemunhas afirmaram que Sastre estava alterado e que os amigos tentaram convencê-lo a não assumir o volante. Giovanna se recusou a entrar no Porsche, enquanto Marcus embarcou no veículo com o empresário.
Lucas Morais da Silva, filho mais velho do motorista de aplicativo Ornaldo Silva, também foi ouvido no julgamento. Ele afirmou que, após a morte do pai, não conseguiu mais trabalhar com aplicativos de transporte.
Lucas declarou esperar que a punição imposta ao empresário sirva como um “recado para a sociedade”, em referência à responsabilização por acidentes de trânsito fatais.
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