Política
por Andrezza Souza
Publicado em 26/05/2026, às 22h17
Quinze dias após a explosão que destruiu imóveis no Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, moradores atingidos pela tragédia afirmam continuar sem respostas definitivas sobre moradia, indenizações e reconstrução das casas afetadas. O cenário de incerteza aumentou nos últimos dias após problemas envolvendo a hospedagem temporária oferecida às famílias desalojadas.
Na sexta-feira (22), dezenas de moradores realizaram um protesto e bloquearam a Avenida Presidente Altino após relatos de que o contrato de hospedagem em hotéis poderia ser encerrado sem definição sobre auxílio-aluguel, reassentamento ou retorno às residências. Durante a manifestação, houve queima de objetos na via e cobrança por respostas das concessionárias e do Governo de São Paulo.
Moradores relatam que continuam recebendo informações desencontradas sobre o futuro das famílias atingidas e afirmam que ainda não existe clareza sobre quem terá acesso a apartamentos da CDHU, carta de crédito ou auxílio-moradia. Também há reclamações sobre dificuldades em transferências entre hotéis e ausência de reservas confirmadas para algumas famílias desalojadas.
Após o protesto, representantes da Sabesp, Comgás, Defensoria Pública, Ministério Público e integrantes do governo estadual participaram de reuniões com moradores e lideranças da comunidade para discutir medidas emergenciais e soluções habitacionais.
Entre os principais pontos cobrados pelas famílias estão a formalização do auxílio-moradia, definição de critérios para indenizações e esclarecimentos sobre os imóveis interditados após a explosão. Os moradores também pedem acesso aos laudos técnicos relacionados às vistorias realizadas nas residências atingidas.
Outro problema enfrentado pelas famílias envolve a perda de renda após o acidente. Comerciantes e trabalhadores informais afetados pela explosão afirmam que ainda aguardam definições sobre compensações financeiras e pagamentos emergenciais relacionados à interrupção das atividades econômicas na região.
Enquanto as negociações continuam, o Governo de São Paulo afirma manter uma força-tarefa para atendimento das famílias atingidas.
Segundo os dados mais recentes, mais de 120 imóveis passaram por vistoria da Defesa Civil e dezenas de residências foram consideradas interditadas. Parte das famílias segue hospedada em hotéis custeados pelas concessionárias responsáveis pelo atendimento emergencial.
A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) passou a oferecer alternativas habitacionais para os moradores, incluindo apartamentos mobiliados, carta de crédito e auxílio-aluguel temporário. Algumas famílias já visitaram imóveis disponibilizados pelo estado e parte delas aderiu às opções apresentadas.
A Sabesp informou que centenas de famílias já receberam auxílio emergencial de R$ 5 mil e que equipes continuam atuando em ações de limpeza, reparos emergenciais e recuperação de imóveis atingidos pela explosão.
Além das medidas de assistência, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (ARSESP) iniciou uma força-tarefa para fiscalizar obras realizadas em áreas onde existam tubulações compartilhadas entre concessionárias. A agência também anunciou revisão dos protocolos de segurança após o acidente.
O Poupatempo Móvel segue funcionando no bairro para auxiliar moradores na emissão de documentos e acesso a serviços públicos. Desde o início da operação emergencial, mais de 2,3 mil atendimentos já foram realizados na região.
A explosão aconteceu no dia 11 de maio, durante uma obra na região do Jaguaré, quando uma intervenção atingiu uma tubulação de gás. O acidente provocou incêndio, destruição de imóveis e deixou duas pessoas mortas, além de feridos e dezenas de famílias desalojadas.
As vítimas fatais foram Alex Sandro, de 49 anos, que morreu no local, e Francisco Altino, de 62 anos, que chegou a ser socorrido, mas não resistiu após internação hospitalar.
Segundo os levantamentos mais recentes, cerca de 160 pessoas foram diretamente afetadas pela tragédia e dezenas de residências precisaram ser interditadas. Desde então, moradores seguem aguardando definições sobre reconstrução das casas, indenizações e retorno à comunidade.
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