Política
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico e a Agência de Águas do Estado de São Paulo informaram que o Sistema Cantareira passará a operar na Faixa 3, classificada como Alerta, a partir de 1º de março. A mudança segue os critérios previstos na Resolução Conjunta nº 925, de 29 de maio de 2017, que define regras conforme o volume armazenado.
Em 27 de fevereiro, o sistema registrou 35,42% do volume útil, acima dos 22,66% observados em 31 de janeiro. Como o índice superou o limite de 30% no último dia útil de fevereiro, a operação de março foi enquadrada na Faixa 3, segundo o GOV.
Com essa condição, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo poderá retirar até 27 m³/s, em vez dos 23 m³/s autorizados até fevereiro. O aumento do limite de captação está diretamente vinculado ao nível de armazenamento verificado no fim do mês, conforme estabelece a norma conjunta.
Durante o período chuvoso, que se estende até maio, a liberação de vazões para as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí ocorre mediante comunicados da SP Águas à SABESP. Esses avisos também são enviados aos Comitês PCJ, conforme previsto na regulamentação.
Nessa fase, há maior flexibilidade para atendimento aos limites de vazão nos postos de controle definidos pela resolução. A dinâmica operacional busca equilibrar o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo e das bacias PCJ, considerando as condições hidrológicas vigentes.
Como medida complementar, em março a SABESP poderá utilizar, além dos 27 m³/s do Cantareira, a vazão transposta do reservatório da UHE Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, respeitando o limite de outorga.
A administração do Cantareira é compartilhada entre ANA e SP Águas, com monitoramento diário de níveis, vazões e volumes acumulados. As regras atuais foram definidas após a crise hídrica de 2014 e 2015, estabelecendo faixas operacionais que oferecem maior previsibilidade.
O sistema abastece cerca de metade da população da Região Metropolitana de São Paulo e também atende usos múltiplos da água, incluindo o fornecimento para Campinas nas bacias PCJ. É formado por 5 reservatórios interligados, com volume útil total de 981,56 bilhões de litros.
Desde 2018, há interligação entre a represa da UHE Jaguari e a represa Atibainha, ampliando a segurança hídrica. Embora os reservatórios estejam em território paulista, parte das águas provém de rios de domínio da União, com nascentes e trechos em Minas Gerais.
As agências reforçam a necessidade de medidas de gestão da demanda, redução de perdas e uso racional da água. A preservação do volume armazenado depende tanto da operação técnica quanto da colaboração dos usuários, segundo as instituições.
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