Política

Tarcísio discordou de Flávio sobre pedido de anulação da eleição

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Estratégia da oposição se concentra em construir uma frente no Congresso, visando influenciar debates e propostas do governo Lula  |   BNews SP - Divulgação Foto: Divulgação
Tatiana Ribeiro

por Tatiana Ribeiro

Publicado em 27/10/2026, às 09h26



O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), discordou da intenção do senador Flávio Bolsonaro (PL) de pedir a anulação do resultado do segundo turno das eleições presidenciais. Embora estivesse no mesmo local em que o candidato acompanhou a apuração no domingo (25), Tarcísio não se juntou ao grupo de aliados que cercou Flávio após a confirmação da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


Segundo o Globo, a ausência do governador na foto ao lado dos apoiadores foi atribuída à divergência sobre a estratégia adotada pelo senador. Entre os políticos e aliados que apareceram no registro estavam Alfredo Gaspar, Nikolas Ferreira, Rogério Marinho, Bia Kicis, Guilherme Derrite, Deltan Dallagnol, Lucas Pavanato, Luciano Zucco, Douglas Ruas, Pablo Marçal, Marcel van Hattem e Frederick Wassef, entre outros.


Após o resultado, Flávio afirmou que recorreria à Justiça para contestar a votação. A declaração ocorreu depois de uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h em locais onde havia relatos de dificuldades no transporte público.

Senador questiona alteração do horário


O senador questionou a medida, argumentando que a alteração do horário comprometeria a lisura do processo eleitoral. Na ocasião, afirmou que utilizaria a equipe jurídica da campanha para solicitar a anulação do pleito.


A ampliação do horário, porém, havia sido solicitada pelas duas campanhas diante de dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar às seções eleitorais. A equipe de Flávio acionou a Justiça Eleitoral por problemas relacionados às condições climáticas no Sul do país, enquanto a campanha de Lula também pediu providências em razão de restrições no transporte público.


Pressão para reconhecer a derrota


De acordo com o Globo, iniciativa de contestar o resultado provocou resistência entre integrantes da cúpula do PL e interlocutores próximos a Tarcísio. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, aliados pressionaram Flávio a reconhecer a vitória de Lula e direcionar os esforços para a reorganização da direita no cenário político nacional.


Integrantes da equipe do senador informaram, na segunda-feira (26), que a campanha havia desistido de apresentar uma ação para pedir a anulação da eleição. A mudança de posição ocorreu em meio à avaliação de aliados de que insistir na contestação poderia trazer prejuízos políticos ao candidato.


Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. A diferença superou 4,4 milhões de votos, o que, na avaliação de interlocutores do PL, dificultaria a sustentação de uma iniciativa para invalidar o resultado.


Além dos obstáculos jurídicos, aliados consideram que prolongar a disputa eleitoral poderia comprometer a consolidação de Flávio como uma das principais lideranças da oposição ao novo governo. A avaliação é que o reconhecimento da derrota permitiria ao senador preservar o capital político conquistado durante a campanha e ampliar sua capacidade de articulação.


Reorganização da oposição


A orientação de integrantes da direção do PL e de pessoas próximas a Tarcísio é concentrar esforços na construção de uma frente de oposição no Congresso Nacional. A estratégia prevê aproveitar a presença de parlamentares alinhados à direita para influenciar os debates legislativos e atuar contra propostas do governo Lula.


Interlocutores também avaliam que prolongar a contestação do resultado poderia dificultar o diálogo com governadores e partidos que apoiaram Flávio durante a campanha, mas que precisarão definir como se posicionar diante do novo mandato presidencial.


A divergência expõe diferenças de estratégia entre setores da direita após a derrota nas urnas. Enquanto parte dos aliados defende encerrar a disputa eleitoral e concentrar esforços na articulação política, a declaração inicial de Flávio indicou resistência em reconhecer imediatamente o resultado.

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