Política
Um vídeo criado com uso de inteligência artificial reacendeu discussões sobre a proposta de transformação da famosa esquina das avenidas São João e Ipiranga, no centro de São Paulo.
A publicação, feita pelo governador Tarcísio de Freitas nas redes sociais e citada em reportagem do Metrópoles, apresenta uma versão visualmente ampliada do projeto apelidado de “Times Square Paulistana”, com uma quantidade de painéis luminosos superior à prevista no modelo em análise pela prefeitura.
A simulação mostra a via tomada por telões de LED e publicidade, sugerindo uma mudança significativa na paisagem urbana. Na prática, no entanto, o projeto aprovado até o momento prevê quatro painéis e uma projeção digital específica, concentrados na região do cruzamento entre as avenidas Ipiranga e São João.
De acordo com o modelo autorizado pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), a instalação total somaria cerca de 2.100 metros quadrados de painéis luminosos.
Os equipamentos seriam distribuídos em pontos estratégicos, incluindo edifícios e galerias da região. Também está prevista uma projeção digital na empena cega do Edifício Independência, acima do tradicional Bar Brahma.
A proposta estabelece que os telões ocupem três das quatro esquinas do cruzamento, preservando a fachada do próprio bar. Já a projeção no edifício não seria visível diretamente da esquina principal, por estar voltada para os fundos.
A iniciativa avançou mesmo diante de entraves legais. A Lei Cidade Limpa, em vigor desde 2006, restringe a publicidade externa em São Paulo e não contempla esse tipo de instalação. Para viabilizar o projeto, foi necessária uma autorização excepcional da CPPU, aprovada por margem apertada.
Pelo enquadramento adotado, os painéis não seriam classificados como mídia publicitária tradicional, mas como “mídia arte”, com conteúdo predominantemente cultural e informativo. Ainda assim, marcas poderão aparecer em até 30% do tempo de exibição, sob a denominação de “cooperantes”.
Defensores do projeto afirmam que a proposta pode contribuir para a revitalização do centro, incentivando circulação de pessoas e atividades comerciais. Já críticos apontam riscos de descaracterização da paisagem, aumento da poluição visual e questionam a flexibilização de regras urbanísticas consolidadas.
O projeto também passou pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp), que avaliou possíveis impactos sobre edifícios tombados da região. A discussão permanece em andamento, evidenciando que a iniciativa ainda está longe de consenso.
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