Política
por Andrezza Souza
Publicado em 25/04/2026, às 14h07
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelou neste sábado (25) o envio de negociadores ao Paquistão para uma nova rodada de negociações sobre o fim do conflito no Oriente Médio.
A decisão foi tomada após o governo iraniano informar que não participaria de reuniões diretas com representantes norte-americanos em Islamabad.
A missão diplomática previa a viagem dos enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner à capital paquistanesa. Eles participariam de tratativas mediadas pelo governo local com o chanceler iraniano Abbas Aragchi.
O cancelamento foi anunciado pelo próprio presidente americano em publicação nas redes sociais, na qual afirmou que decidiu suspender a viagem após avaliar que a reunião não ocorreria como previsto. A decisão também ocorreu em meio a declarações do chanceler iraniano indicando que trataria apenas com mediadores paquistaneses.
Segundo informações divulgadas por agências internacionais, o representante iraniano entregou ao governo do Paquistão as condições de seu país para um eventual acordo de paz, mas deixou o local sem estabelecer contato direto com autoridades americanas.
O cancelamento da viagem ocorreu em um momento considerado mais delicado do que o registrado na primeira rodada de negociações, realizada cerca de três semanas antes, quando representantes dos dois países chegaram a se reunir pessoalmente.
A nova rodada deveria ter sido retomada na terça-feira (21), mas acabou adiada após o Irã informar que ainda não estava pronto para participar das conversas. Na mesma data, o governo americano decidiu estender o cessar-fogo existente entre as partes, com o objetivo de manter abertas as possibilidades de diálogo.
Apesar das tensões recentes, o chanceler iraniano classificou a visita ao Paquistão como produtiva e questionou a disposição dos Estados Unidos em avançar nas negociações diplomáticas.
O cenário diplomático acontece paralelamente a uma situação de instabilidade no Estreito de Ormuz, rota considerada essencial para o transporte global de energia. Antes do início do conflito, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam pela região.
Atualmente, o tráfego marítimo permanece restrito devido a bloqueios impostos por Irã e Estados Unidos, o que tem gerado preocupação internacional sobre o abastecimento energético e os impactos econômicos do conflito.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou recentemente que a reabertura do estreito é considerada necessária para a estabilidade global.
Além das negociações diretas entre Estados Unidos e Irã, o cenário regional segue marcado por tensões em outras frentes. No Líbano, a trégua permanece sob pressão após a decisão americana de prolongar o cessar-fogo por mais três semanas.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o processo de paz enfrenta dificuldades diante de novos episódios de hostilidade. Por outro lado, o grupo Hezbollah declarou que a prorrogação do acordo não faz sentido diante das ações militares atribuídas a Israel.
As negociações seguem sem confirmação de um novo encontro direto entre representantes dos dois países, e o andamento das tratativas dependerá de avanços diplomáticos nas próximas semanas.
*Com informações de Reuters e AFP
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