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Internações por gripe sobem 92,9% e mortes avançam 10% em 2026

Vacinação
Dados mostram aumento de hospitalizações por influenza e especialistas alertam para baixa adesão à vacinação contra gripe entre grupos de risco  |   BNews SP - Divulgação Vacinação - Reprodução: Freepik
Andrezza Souza

por Andrezza Souza

Publicado em 25/04/2026, às 10h27



As internações por gripe em 2026 cresceram 92,9% no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Até 18 de abril, foram registradas 4.658 hospitalizações por influenza e 285 mortes. No mesmo período de 2025, o país contabilizou 2.414 internações e 259 óbitos, indicando avanço dos casos graves e aumento nas mortes associadas à doença.

Casos graves e mortes aumentam em todo o país

As internações por gripe em 2026 refletem um cenário de maior circulação do vírus influenza, com aumento expressivo de quadros graves. O crescimento dos casos preocupa autoridades de saúde, especialmente diante da proximidade do inverno, período tradicional de maior incidência da doença.

Uma das mortes registradas foi a de um adolescente de 13 anos em Sorocaba, no interior de São Paulo. Segundo a prefeitura, ele morreu por complicações da gripe e não tinha comorbidades.

No ano anterior, quando a vacinação foi ampliada para toda a população acima de seis meses, o adolescente não recebeu o imunizante. O caso reforça o alerta das autoridades sobre a importância da vacinação para prevenir agravamentos da doença.

Grupos de risco, como idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas e imunossuprimidos, apresentam maior probabilidade de desenvolver quadros graves e óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave associada ao vírus influenza, embora a doença possa afetar qualquer pessoa.

Circulação do vírus foi antecipada em 2026

O boletim Infogripe da Fundação Oswaldo Cruz aponta que as infecções por influenza A continuam em alta em estados das regiões Centro-Sul, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, além de áreas do Nordeste e do Norte.

Há sinais de redução em alguns estados, como Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia, Pernambuco, Pará e Rio de Janeiro.

Segundo Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações e secretário do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, a antecipação da circulação do vírus chamou atenção neste ano.

“O que chama muito a atenção neste ano é a antecipação da influenza que normalmente acontece mais para o final de maio, junho. No final de março, começo de abril, os casos de gripe começaram a aumentar bastante. Será que será maior agora e no inverno menor? O cenário ainda é muito incerto para fazermos qualquer prognóstico”, disse.

Para o especialista, o cenário observado em 2026 é mais preocupante do que o registrado no ano anterior.

Especialistas alertam para baixa adesão à vacinação

As internações por gripe em 2026 também estão relacionadas à baixa adesão à vacinação, especialmente entre pessoas consideradas mais vulneráveis.

Segundo o infectologista Álvaro Furtado, membro da Sociedade Paulista de Infectologia, muitos pacientes internados com influenza grave pertencem a grupos que deveriam ter recebido o imunizante.

“Chega o momento da circulação do vírus que começa a ter casos graves e a encher o hospital. E isso é uma coisa que preocupa, porque é a população que deveria tomar vacina. As campanhas precisam esclarecer a importância da vacina para proteger contra a gravidade. O que não queremos na população mais vulnerável é internação e morte, hospital cheio e falta de vaga”, afirmou.

O Ministério da Saúde orienta estados e municípios a intensificarem a vacinação dos grupos prioritários, como crianças, gestantes e idosos, considerados mais suscetíveis a hospitalizações e mortes.

Campanha de vacinação segue até 30 de maio

A campanha de vacinação contra influenza continua em todo o país até 30 de maio. A estratégia prioriza grupos com maior risco de complicações e mortalidade associadas à doença.

Até 24 de abril, 21,36% do público prioritário nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul havia sido imunizado. Na região Norte, a campanha ocorre em período diferente por causa do inverno amazônico, com cobertura de 41,90% referente à campanha iniciada em 2025.

Especialistas recomendam que pessoas que ainda não se vacinaram procurem a imunização o quanto antes, especialmente diante do aumento dos casos e da proximidade do período de maior circulação do vírus.

A elevação das hospitalizações e mortes por influenza reforça o alerta das autoridades de saúde para a importância da vacinação e do monitoramento dos casos graves em todo o país.

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