Política
por Andrezza Souza
Publicado em 25/04/2026, às 11h25
O Irã apresentou exigências para o fim da guerra neste sábado (25) durante negociações indiretas com os Estados Unidos em Islamabad, capital do Paquistão. As conversas ocorrem sob mediação do governo paquistanês e em um ambiente de tensão diplomática, após autoridades iranianas descartarem reuniões diretas com representantes americanos.
O Irã apresentou exigências para o fim da guerra por meio de documentos entregues ao governo do Paquistão, segundo informações de fontes oficiais. O material reúne condições estabelecidas por Teerã para um possível acordo e observações sobre propostas apresentadas pelos Estados Unidos.
O conteúdo dos documentos não foi divulgado até o momento. As negociações seguem de forma indireta, com autoridades paquistanesas atuando como intermediárias entre os dois países.
Representantes dos Estados Unidos e do Irã chegaram a Islamabad neste sábado para dar continuidade às tratativas diplomáticas iniciadas semanas antes.
O Irã apresentou exigências para o fim da guerra em um cenário considerado mais hostil do que o observado na rodada anterior de negociações, realizada cerca de três semanas antes. Na ocasião, representantes dos dois países participaram de encontros presenciais.
A nova rodada deveria ter sido retomada na terça-feira (21), mas acabou adiada após o Irã informar que ainda não estava pronto para prosseguir. No mesmo período, a delegação americana permaneceu em Washington.
Diante do impasse, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu estender unilateralmente o cessar-fogo com o objetivo de permitir a retomada das conversas.
Autoridades americanas afirmaram que houve sinais de progresso nas negociações. O presidente Donald Trump declarou acreditar que uma nova proposta iraniana poderia atender às exigências estabelecidas pelos Estados Unidos.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, também mencionou avanços nas tratativas. Apesar disso, o chanceler iraniano informou que não tinha planos de realizar reuniões diretas com representantes americanos durante esta fase das negociações.
Os enviados especiais dos Estados Unidos viajaram a Islamabad com a expectativa de manter contatos diplomáticos, mas as conversas continuam mediadas por autoridades paquistanesas.
As negociações ocorrem em meio a um cenário de tensão militar no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circulava cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito transportados no mundo.
O tráfego marítimo permanece limitado devido a bloqueios impostos por Irã e Estados Unidos, situação que tem gerado preocupação internacional sobre o abastecimento de energia.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que a reabertura do estreito é considerada essencial para a estabilidade global.
Enquanto isso, o mercado internacional de petróleo registrou alta, refletindo expectativas de avanço nas negociações de paz.
O Irã apresentou exigências para o fim da guerra em um contexto regional marcado por instabilidade em diferentes frentes de conflito. No Líbano, o cessar-fogo permanece sob pressão após a prorrogação de três semanas anunciada pelos Estados Unidos.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o processo de paz enfrenta tentativas de sabotagem por parte do Hezbollah, grupo aliado do Irã.
Por sua vez, o Hezbollah declarou que a prorrogação do cessar-fogo não faz sentido diante de ações militares atribuídas a Israel e solicitou que o governo libanês se retire das negociações diretas.
As negociações em Islamabad seguem sem confirmação de encontros diretos entre representantes dos dois países e dependem de avanços diplomáticos para a continuidade das tratativas de paz.
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