Entretenimento
Publicado em 07/11/2026, às 22h00 Foto: Reprodução/ESA Amanda Ambrozio
Desviar um asteroide de sua trajetória para evitar uma possível colisão com a Terra deixou de ser apenas uma hipótese científica. Em 2022, a NASA realizou um experimento inédito ao lançar uma espaçonave contra um corpo celeste e modificar seu movimento.
Quatro anos depois, a missão Hera, da Agência Espacial Europeia (ESA), investiga os efeitos dessa colisão para entender como a técnica pode ser utilizada na defesa do planeta, de acordo com o Jornal de Morelos.
A sonda chegou a uma distância de aproximadamente 60 quilômetros do sistema de asteroides Didymos, formado por um corpo principal e sua pequena lua, Dimorphos. Durante a aproximação, a espaçonave registrou imagens dos dois objetos, permitindo observar características da superfície e possíveis marcas deixadas pelo impacto.
A missão que antecedeu a investigação da Hera foi realizada em 26 de setembro de 2022. Na ocasião, a espaçonave DART, da NASA, colidiu intencionalmente com Dimorphos, que tem cerca de 151 metros de diâmetro e orbita o asteroide Didymos.
O impacto alterou o movimento da pequena lua. Segundo os dados divulgados sobre o experimento, o período orbital de Dimorphos ao redor de Didymos foi reduzido em aproximadamente 33 minutos.
O resultado marcou a primeira demonstração prática de que uma espaçonave pode modificar a trajetória de um asteroide. A técnica, conhecida como impacto cinético, consiste em lançar uma estrutura contra o objeto celeste para alterar seu movimento.
A missão Hera tem como objetivo analisar as consequências da colisão e compreender como o impacto afetou a estrutura dos corpos envolvidos.
As imagens registradas pela sonda mostram detalhes da superfície de Didymos, que possui aproximadamente 780 metros de diâmetro. Entre os elementos identificados estão crateras, grandes rochas e sulcos que podem estar relacionados à ejeção de material durante o impacto de 2022.
Dimorphos, por sua vez, aparece parcialmente encoberto por sombras em algumas das imagens. A lua tem cerca de 151 metros de diâmetro e é o principal objeto de estudo da missão por ter recebido diretamente a colisão da DART.
A análise da composição, da densidade e da estrutura física dos asteroides é importante para entender como esses corpos reagem a impactos. Essas informações permitem aprimorar modelos científicos e calcular com mais precisão os efeitos de uma eventual tentativa de desvio.
A ESA anunciou que pretende apresentar uma análise mais detalhada e imagens de alta resolução do local do impacto em 25 de novembro.
Os resultados da missão podem contribuir para o desenvolvimento de estratégias de defesa planetária. Embora o experimento da NASA tenha demonstrado que é possível alterar a trajetória de um asteroide, a aplicação da técnica em uma situação real depende de fatores como tamanho, composição, estrutura e tempo disponível para agir.
Nova descoberta da Nasa reforça estudos sobre passado de Marte
Asteroide 2024 YR4 vai passar perto da Lua e mobiliza observação da NASA; entenda