Farinha Lima
Publicado em 14/01/2026, às 07h00 Foto: Imagem feita por IA Farinha Lima
O comitê de investimentos da Previdência dos servidores de São Roque achou que tinha feito um bom negócio ao trocar aplicações no BTG por R$ 93,2 milhões em letras financeiras do Banco Master, aposta aprovada por unanimidade em 2024 e vendida como capaz de render R$ 12,7 milhões em dez anos.
O plano vinha embalado por consultoria privada e parecer técnico que exaltava governança, solidez e lucros do banco. Quase dois anos depois, com o Master em liquidação no Banco Central, a aposta perdeu o glamour: letras financeiras não são cobertas pelo FGC, e o retorno virou incógnita.
A nova gestão fala em processos, TCE, Ministério Público e possível judicialização; enquanto os servidores aprendem, na prática, que “boa oportunidade de negócio” às vezes é só um eufemismo elegante para aposta sem seguro.
Quase um mês após o apagão de 10 de dezembro, a Aneel mantém sob sigilo o relatório entregue pela Enel sobre a falha que deixou milhões de paulistanos sem luz, mesmo com parecer jurídico interno, área técnica da agência e o Ministério Público Federal defendendo a divulgação do documento, ainda que com tarjas pontuais.
A concessionária invocou a LGPD e depois chamou o sigilo de “procedimento padrão”, enquanto a fiscalização envolve um episódio que pode pesar até no debate sobre o fim da concessão.
No pano de fundo, Lula acionou AGU e CGU, Tarcísio e Nunes pressionam por caducidade do contrato e o Ministério de Minas e Energia cobra respostas. Já o relatório segue no escuro: coerente com o serviço, mas pouco com a ideia de transparência.
A famosa Penitenciária 2 de Tremembé, por anos apelidada de “presídio das celebridades do crime”, está mudando de figurino: deixa o regime fechado e passa a operar como semiaberto, numa reestruturação da Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo.
Com isso, nomes conhecidos do noticiário foram redistribuídos pelo sistema prisional — Robinho foi para Limeira, Fernando Sastre (do Porsche) para Potim, Thiago Brennand para Guarulhos, e também deixaram a unidade figuras como o hacker Walter Delgatti e o ex-médico Roger Abdelmassih.
A P2 de Tremembé, que já concentrou condenados de grande repercussão, agora perde o status de vitrine penal e segue outro rumo, encerrando a fase em que fama rendia endereço fixo no interior paulista.
Nem só de malas e espumante vive a área VIP de Guarulhos: a Polícia Federal encontrou lixeiras com fundo falso usadas para transportar cocaína dentro da área restrita do aeroporto.
Segundo a PF, os entorpecentes saíam desses recipientes direto para a sala VIP e dali seguiam com passageiros rumo à Europa, numa logística que apostava mais na cara de pau do que na discrição.
A ação, batizada de Persecutio Punctata, é desdobramento da Operação Heavy Cleaning, iniciada após a descoberta, em dezembro de 2024, de cocaína escondida em lixeiras e armários — sinal de que, em Guarulhos, até o lixo viajava internacional.