Farinha Lima
Publicado em 29/07/2026, às 07h00 Foto: Criada por IA Farinha Lima
Ricardo Nunes sonhava em repetir o sucesso dos megashows internacionais na Avenida Paulista em 2026, mas, ao que tudo indica, o bis não vai acontecer. O prefeito culpou integrantes do Ministério Público e do Judiciário pela demora em destravar o acordo que permitiria ampliar o número de grandes eventos na via.
São Paulo vai perder mais um megashow internacional na Paulista, mas não por falta de artista. Nos bastidores, U2 e Coldplay chegaram a entrar na conversa. No palco, por enquanto, só o silêncio.
A ideia era transformar a Paulista na Copacabana paulistana, repetindo o sucesso dos shows gratuitos que lotaram o Rio. Mas o TAC virou a verdadeira atração principal: embargos, cláusulas, recursos e muita burocracia. No fim, a cidade corre o risco de assistir a mais um grande evento internacional… pela transmissão na televisão.
Depois do caos provocado por um incêndio que paralisou a circulação de trens, Tarcísio de Freitas resolveu engrossar o tom com a concessionária Trivia Trens. O governador avisou que, se a empresa não cumprir o contrato, pode até perder a concessão. Agora, resta saber se a empresa consegue evitar que a viagem termine no ponto final.
Fernando Haddad puxou um aliado improvável para o debate: Tarcísio de Freitas. Na Convenção do último fim de semana, o petista fez questão de lembrar que até o governador paulista, identificado com o bolsonarismo, já elogiou as urnas eletrônicas. Sobrou para os Estados Unidos, que, segundo Haddad, têm um sistema de apuração "muito precário".
Ronaldo Caiado quer mostrar que pode ser a terceira via em um cenário político polarizado. Anteriormente apoiador de Flávio Bolsonaro em uma possível disputa contra Lula no segundo turno, desta vez, o ex-governador de Goiás afirmou que será ele o principal opositor do petista na disputa à Presidência da República. O candidato tem apostado também nas surpresas que o Caso Master pode apresentar sobre Flávio Bolsonaro. No aguardos dos desdobramentos.
O filho “04” de Jair Bolsonaro parece ser uma peça esquecível dentro da família. Na convenção nacional do Partido Liberal (PL) no fim de semana, Renan foi o único a não discursar no evento que confirmou o nome de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Enquanto Eduardo e Carlos tiveram seu “momento ao sol” com discursos emocionantes, coube ao filho mais novo ser apenas uma peça de decoração no meio do palanque político.
A ausência de Michelle Bolsonaro na Convenção Nacional do PL não chegou a ser, de fato, uma surpresa, mas a presença da ex-primeira-dama era esperada como uma forma de “sacramentar” a trégua familiar com o antenado, Flávio Bolsonaro. A justificativa de Michelle, de que estaria cuidando de Jair Bolsonaro, não foi muito bem aceita, uma vez que ela já participou de eventos com muito menos peso político.
Javier Milei desembarcou em São Paulo, abraçou Flávio Bolsonaro e entrou de vez na campanha brasileira. Os dois celebraram a possibilidade de uma “onda azul” tomar conta do país em outubro, enquanto o argentino lamentava não ter conseguido visitar Jair Bolsonaro. O abraço foi entregue por procuração.
No cenário, ainda apareciam Ricardo Nunes e Tarcísio de Freitas. Parece que cada um já busca ensaiar a foto da vitória. Milei falou em pintar o mapa de azul, mas será que o eleitorado pretende trocar a paleta quando chegar à cabine de votação? Resta aguardar.
O presidente da Argentina aproveitou a oportunidade e chamou Luiz Inácio Lula da Silva de "presidiário" e ainda virou tema de reunião no Itamaraty. Questionado sobre as declarações do argentino, o petista respondeu com um singelo: "Quem é esse cara?". Para quem mobilizou diplomatas, embaixadores e boa parte do noticiário, o vizinho virou um ilustre desconhecido.
Enquanto o Ministério das Relações Exteriores tratava o caso como incidente diplomático, Lula preferiu o caminho da ironia. Em Brasília, às vezes, ignorar rende mais manchetes do que responder. Ainda mais quando todo mundo já sabe exatamente de quem se está falando.
A defesa de Flávio Bolsonaro foi ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) explicar que o vídeo de Jair Bolsonaro criado por inteligência artificial não pediu votos. Segundo os advogados, tratava-se apenas de um "boneco tecnológico", exibido em evento fechado, devidamente identificado e sem qualquer pedido explícito de apoio. O fato de o avatar apresentar o sucessor e pedir que ele fosse recebido "de braços abertos" seria, ao que tudo indica, mera coincidência de roteiro.
Se a moda pegar, a campanha de 2026 vai inaugurar um novo gênero eleitoral: o pedido de voto que não pede voto, o cabo eleitoral que não faz campanha e o discurso que convence sem tentar convencer. Basta colocar um asterisco, chamar de "boneco tecnológico" e deixar que o juridiquês faça o resto.
Fernando Haddad resolveu vestir o figurino de conciliador depois da passagem nada diplomática (para a esquerda, claro) de Milei pelo Brasil. Para o ex-ministro da Fazenda, é hora de “virar a página” e preservar a boa vizinhança com a Argentina, apesar de o presidente argentino ter chamado Lula de “presidiário” e Alexandre de Moraes de “lixo careca”. O Mercosul também oferece curso de controle emocional?
O candidato ao governo paulista fez questão de separar as bravatas de Milei da relação entre os dois países e lembrou que acordos comerciais não costumam sobreviver apenas de afinidades ideológicas. Traduzindo do economês: os insultos passam, mas a balança comercial precisa continuar fechando.
Romeu Zema estreou oficialmente a campanha garantindo ser o único candidato que conhece o "Brasil real". A demonstração prática veio em seguida: atacou o PT, criticou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), propôs um superpresídio no meio da Amazônia e apresentou um pacote completo de soluções em poucos minutos. Pelo visto, quem conhece o país inteiro também já tem resposta para tudo.
Só teve um detalhe curioso no tour pelo "Brasil real": o adversário direto, Flávio Bolsonaro, passou ileso. Depois de meses de críticas, o silêncio apareceu justamente quando a disputa virou oficial. Vai ver o mapa do presidenciável tem algumas áreas muito bem sinalizadas... e outras convenientemente fora da rota.
Enquanto parte da direita segue olhando para Washington, Lula resolveu dar uma forcinha para o outro lado do mapa-múndi. Depois de uma longa conversa com Xi Jinping, o presidente brasileiro viu Pequim subir os acenos diplomáticos em meio ao atrito com os Estados Unidos. Na geopolítica de 2026, a bússola do Planalto parece apontar cada vez mais para o Oriente.
A agenda ganhou reforço com a visita do presidente da Coreia do Sul e a promessa de acelerar um acordo comercial com o Mercosul. Entre China, Coreia e novos mercados, o governo tenta mostrar que, se uma porta se fecha na Casa Branca, ainda existe um continente inteiro disposto a abrir janelas. Quem não diversifica acaba pagando tarifa.