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Desemprego entre jovens é mais que o dobro do registrado entre adultos

Estudo do FGV IBRE mostra que desemprego entre jovens, informalidade e subocupação seguem acima da média nacional, mesmo com melhora recente do mercado  |  Currículo - Reprodução: Freepik/pressfoto

Publicado em 19/04/2026, às 13h57   Currículo - Reprodução: Freepik/pressfoto   Andrezza Souza

O desemprego entre jovens permanece mais elevado do que entre adultos no Brasil, segundo estudo do FGV IBRE com base em dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que analisou a situação de trabalhadores de 18 a 29 anos e de 30 a 59 anos no quarto trimestre de 2024.

O levantamento indica que a diferença está associada a fatores como menor experiência profissional, maior presença em ocupações informais e dificuldades de inserção em vagas com maior estabilidade.

Entrar no mercado de trabalho ainda é desafio para jovens

Entrar no mercado de trabalho ainda é um desafio para milhões de brasileiros, especialmente para quem está no início da vida profissional. Mesmo com a recuperação recente do emprego e a redução geral da taxa de desemprego, os dados indicam que o desemprego entre jovens continua acima da média nacional e permanece distante dos níveis registrados entre trabalhadores mais experientes.

No quarto trimestre de 2024, a taxa de desemprego entre jovens foi de 10,1%, mais que o dobro da observada entre adultos de 30 a 59 anos, que ficou em 4,5%, enquanto a média nacional registrou 6,2%. Esse cenário mostra que, mesmo em períodos de crescimento econômico e geração de vagas, a inserção profissional dos jovens ocorre de forma mais lenta e com maior dificuldade.

Além disso, os jovens representam uma parcela expressiva da força de trabalho brasileira. No quarto trimestre de 2024, cerca de 25,9 milhões de pessoas entre 18 e 29 anos estavam ocupadas, o equivalente a 25% do total de trabalhadores do país.

Crescimento do emprego entre jovens ocorre em ritmo menor que entre adultos

Apesar da participação significativa na força de trabalho, o crescimento do emprego entre jovens ocorreu de forma mais lenta do que entre trabalhadores mais experientes nos últimos anos. Entre 2019 e 2024, a ocupação dos jovens aumentou 4,2%, enquanto o avanço entre adultos de 30 a 59 anos foi de 8,6%, indicando que a recuperação do mercado de trabalho não beneficiou todos os grupos etários de forma igual.

Esse comportamento reforça a percepção de que as oportunidades de trabalho continuam mais restritas para quem está iniciando a carreira. Mesmo em momentos de expansão econômica, os jovens tendem a enfrentar maior rotatividade, menor estabilidade e maior dificuldade para consolidar uma trajetória profissional consistente.

Informalidade e subocupação ampliam vulnerabilidade no início da carreira

Mesmo quando conseguem emprego, muitos jovens permanecem em ocupações com menor estabilidade e menor proteção social. A informalidade continua sendo um dos principais desafios para esse grupo, ainda que o indicador tenha apresentado redução ao longo dos últimos anos.

No quarto trimestre de 2024, a taxa de informalidade entre pessoas de 18 a 29 anos foi de 38,5%, percentual próximo da média nacional, de 38,6%, mas superior ao registrado entre trabalhadores de 30 a 59 anos, que ficou em 35,9%. Esse dado indica maior exposição a vínculos de trabalho mais frágeis e com menor previsibilidade de renda.

A subocupação também aparece como um indicador relevante de vulnerabilidade no mercado de trabalho. No mesmo período, 5,4% dos jovens ocupados estavam subocupados por insuficiência de horas trabalhadas, ou seja, trabalhavam menos de 40 horas semanais e gostariam de trabalhar mais. O percentual foi superior à média nacional, de 4,8%, e ao índice observado entre adultos, de 4,6%, evidenciando maior dificuldade para alcançar jornadas completas e estabilidade profissional.

O estudo estima que cerca de 1,4 milhão de jovens estavam nessa condição no final de 2024.

Renda menor evidência diferença econômica entre gerações

A combinação de desemprego entre jovens, informalidade e subocupação tem impacto direto sobre o rendimento do trabalho e amplia a diferença econômica entre faixas etárias. No quarto trimestre de 2024, o rendimento médio real dos jovens foi de R$ 2.297, valor inferior ao registrado entre adultos de 30 a 59 anos, cuja média chegou a R$ 3.690.

Na comparação geral, a renda dos jovens foi 37,8% menor que a dos trabalhadores mais velhos e quase 31% inferior à média nacional, que ficou em R$ 3.315. Esses dados indicam que as condições de trabalho disponíveis para a juventude continuam associadas a menores ganhos e maior instabilidade financeira.

O levantamento também aponta forte concentração de jovens em atividades dos setores de comércio e serviços, áreas que costumam apresentar menor exigência de qualificação e maior rotatividade de trabalhadores, fatores que contribuem para salários mais baixos e menor progressão profissional.

Fatores estruturais ajudam a explicar dificuldades de inserção profissional

O estudo identifica fatores estruturais associados às dificuldades de inserção profissional entre jovens, mesmo em períodos de crescimento econômico. Entre os principais desafios estão a falta de experiência profissional, a baixa qualificação técnica e a maior exposição a ocupações com menor estabilidade.

Outro elemento apontado é a concorrência com trabalhadores mais experientes, que tendem a apresentar histórico profissional mais consolidado e maior adaptação às exigências do mercado. Além disso, muitos jovens precisam conciliar estudo e trabalho, o que pode limitar a disponibilidade para jornadas completas e reduzir as oportunidades de desenvolvimento profissional.

Essas condições ajudam a explicar por que o desemprego entre jovens permanece mais elevado e por que a entrada no mercado de trabalho ocorre de forma mais lenta para essa faixa etária.

Classificação Indicativa: Livre


TagsIBGEdesempregoEconomiaFGV IBREPNAD Contínua

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