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Publicado em 12/04/2026, às 10h25 Foto: Reprodução/Gov Fernanda Montanha
A incorporadora Vitacon passou a exigir um valor inicial de 50% para a compra de studios de 25 m² classificados como HIS, voltados à população de baixa renda, em um empreendimento localizado nos Jardins, em São Paulo.
O montante de entrada chega a R$ 191,5 mil, seguido por 36 parcelas de R$ 5.319. Embora a prática esteja dentro da legalidade, especialistas apontam que ela limita o acesso do público-alvo.
A oferta foi apresentada a uma repórter por meio de contato via WhatsApp, feito por um corretor da empresa. O material destacava o lançamento Vitacon Jardins, situado entre as ruas Augusta e Oscar Freire, com proposta de bem-estar e áreas como spa, espaços para ioga e pilates, segundo o Uol.
O empreendimento aposta em diferenciais típicos de alto padrão, apesar de incluir unidades destinadas à habitação social.
Das 682 unidades residenciais, 343 se enquadram na categoria HIS-2, destinada a famílias com renda de até 6 salários mínimos, equivalente a R$ 9.726.
Segundo o corretor, a exigência de 50% de entrada foi definida por se tratar de um bairro valorizado. A justificativa apresentada é o potencial de valorização futura do imóvel, mesmo com o alto custo inicial.
A empresa afirmou, em nota, que as condições são flexíveis e seguem a legislação vigente. Já o corretor indicou que esse formato não é comum, mas foi considerado mais atrativo para o perfil de comprador. Ele também mencionou que investidores costumam adquirir esse tipo de unidade à vista.
Apesar de não haver proibição legal, especialistas veem um desalinhamento com os objetivos da política habitacional.
O advogado Antônio Tessitore avalia que a exigência cria uma barreira econômica relevante. Na prática, o modelo dificulta o acesso de famílias de baixa renda, público central do programa HIS.
Ele destaca que o padrão tradicional do mercado envolve entrada menor durante a obra e financiamento de longo prazo, muitas vezes com apoio da Caixa Econômica Federal. Nesse contexto, a estratégia adotada pela incorporadora é vista como incompatível com a proposta de ampliar o acesso à moradia popular.
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