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Publicado em 26/08/2026, às 12h33 Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil Marina do Val
Com juros altos e crédito mais restrito para a aquisição da casa própria, os paulistanos voltaram seus olhos para o aluguel, transformando significativamente o perfil de consumo imobiliário na capital paulista durante o mês de julho.
Segundo a pesquisa do CRECISP, o mercado registrou uma virada expressiva em que as vendas de imóveis novos e usados apresentaram uma queda de 20%, enquanto o setor de aluguéis seguiu o caminho oposto e disparou 27% no mesmo período.
Os dados refletem um movimento claro de cautela por parte dos consumidores que, diante do custo elevado do crédito imobiliário e das incertezas econômicas, optaram por adiar a compra de um imóvel e buscar opções de aluguel, gerando forte pressão de demanda em diversas regiões da cidade.
O crescimento expressivo nas contratações de aluguéis demonstra a alta liquidez e a capacidade de adaptação desse segmento.
A procura por apartamentos de menor metragem, como estúdios e unidades de um ou dois quartos localizados próximos a eixos de transporte público e centralidades urbanas, liderou o volume de novos contratos no mês.
Analistas do setor apontam que a migração da compra direta para o aluguel é uma resposta imediata às condições financeiras vigentes, que incluem taxas de juros elevadas e exigências bancárias mais rígidas quanto ao valor de entrada.
Para uma parcela considerável das famílias e dos jovens profissionais, o aluguel consolidou-se como a alternativa mais viável para manter a mobilidade e o planejamento financeiro a curto e médio prazo.
Após um período prolongado de forte desempenho e recordes na comercialização de propriedades, o recuo nas vendas acendeu um sinal de alerta para construtoras, incorporadoras e imobiliárias.
Entre os fatores determinantes para essa desaceleração destacam-se a manutenção dos juros em patamares elevados, o custo médio elevado das propriedades após sucessivas valorizações nos últimos anos e o rigor acrescido das instituições financeiras no processo de concessão de crédito.
Com parcelas mais pesadas e margens de aprovação mais estreitas, muitos potenciais compradores decidiram aguardar por melhores condições de mercado antes de assumir compromissos financeiros de longo prazo.
Embora o segmento de vendas tenha registrado retração, analistas avaliam que o mercado paulista não enfrenta uma crise de estagnação, mas sim um momento de readequação de perfil.
A forte e contínua busca por aluguéis tem atraído a atenção de investidores focados na geração de renda passiva, o que tende a impulsionar projetos voltados ao modelo de locação profissionalizada e fundos imobiliários.
A tendência para os próximos meses indica que o mercado de aluguel deve permanecer aquecido, sustentando os valores dos aluguéis em patamares elevados, ao passo que a retomada das vendas dependerá de futuras sinalizações de flexibilização monetária e melhora nas condições de financiamento.
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