Polícia
Publicado em 11/09/2026, às 22h21 Foto: Reprodução/Governo de São Paulo Andrezza Souza
Nove cães farejadores são treinados para localizar objetos escondidos em diferentes ambientes, incluindo celulares e outros equipamentos eletrônicos. Os animais atuam em presídios e também participam de operações contra o crime organizado em São Paulo.
Oito deles foram utilizados na Operação Frankmobile, que combateu uma cadeia de roubo, furto e receptação de celulares na região central da capital. A ação mobilizou 1,7 mil policiais e resultou na apreensão de mais de 50 toneladas de aparelhos e peças eletrônicas.
Durante as buscas, os cães vasculharam depósitos e comércios irregulares. Entre os materiais encontrados estavam celulares embalados individualmente em papel-alumínio e armazenados dentro de caixas de isopor. A estratégia era dificultar a localização dos aparelhos.
A preparação dos cães começa por volta dos 45 dias de vida. Eles chegam aos canis ainda filhotes e passam por uma seleção que considera características genéticas dos pais e o comportamento apresentado.
Os animais podem vir de criadores especializados ou nascer nos próprios canis. Desde cedo, são estimulados a procurar objetos por meio de atividades que se assemelham a brincadeiras.
Marcos Vinícius de Moraes Hondo, cinotécnico da Polícia Penal de São Paulo, explica que os brinquedos são usados como recompensa durante o treinamento.
“O cão pensa que está em uma brincadeira porque oferecemos brinquedos como recompensa sempre quando ele responde a um estímulo que esperamos”, afirmou.
Os cães também passam por etapas de socialização e ambientação. Eles precisam se adaptar a situações encontradas durante as operações, como ambientes escuros, superfícies escorregadias, espaços reduzidos e locais com circulação de pessoas.
Durante a formação, os animais são apresentados a diferentes odores, incluindo compostos presentes na fabricação de equipamentos eletrônicos. Dessa forma, conseguem reconhecer aparelhos escondidos e até mesmo desmontados.
A localização de celulares não é a única especialidade dos cães. Há animais treinados para encontrar entorpecentes e armas, além dos chamados cães de intervenção, utilizados em atividades dentro dos presídios.
A capacidade olfativa dos animais permite identificar objetos que não estão visíveis. De acordo com Hondo, eles conseguem detectar odores através de paredes falsas e outros obstáculos, o que reduz o tempo necessário para as buscas.
O treinamento de cães para localizar equipamentos eletrônicos começou em São Paulo em 2010. Naquele ano, o cão Fuzil foi preparado para esse tipo de trabalho pela então Secretaria da Administração Penitenciária.
Na primeira operação em que participou, no Anexo de Progressão Penitenciária de Ribeirão Preto, Fuzil encontrou 13 celulares escondidos.
Atualmente, são utilizadas as raças pastor-belga-malinois, pastor alemão e pastor holandês. A atuação dos animais é acompanhada por profissionais que precisam interpretar os sinais apresentados durante as buscas.
A relação entre cão e condutor começa ainda durante o treinamento. O vínculo é desenvolvido ao longo da carreira e ajuda o animal a permanecer confortável durante as operações.
A vida profissional de um cão farejador dura, em média, de seis a dez anos. Quando a aposentadoria se aproxima, a preparação de outro animal começa com antecedência. O condutor que acompanhou o cão durante o serviço tem preferência para adotá-lo após a aposentadoria.
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