Polícia

MP realiza megaoperação e apreende cerca de 10 mil celulares roubados em SP

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Operação realizada pelo MP-SP com o apoio das polícias Civil e Militar detalha como celulares são furtados, adulterados e reinseridos no mercado  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Governo de SP
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 10/09/2026, às 12h45



A Operação FrankMobile, deflagrada nesta quinta-feira (10) pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pelas Polícias Civil e Militar, detalha o caminho percorrido por celulares roubados e furtados até retornarem ao mercado.

Segundo os investigadores, os aparelhos passam por uma cadeia organizada que envolve criminosos responsáveis pela subtração, receptadores, técnicos especializados em desbloqueio e adulteração e empresas suspeitas de revender os dispositivos ou suas peças.

A força-tarefa cumpre sete mandados de prisão e 84 de busca e apreensão em São Paulo e Goiás. Também foi determinado o bloqueio de bens que somam mais de R$ 5 milhões.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), responsável pela investigação, o esquema é dividido em quatro núcleos interdependentes.

A apuração reúne rastreamento de aparelhos, análises fiscais e financeiras, depoimentos, relatórios de inteligência e conversas extraídas de celulares e computadores apreendidos.

Como funcionava o caminho dos celulares

O primeiro núcleo, segundo o MP-SP, é formado pelos responsáveis pela subtração dos aparelhos. Entre as modalidades identificadas estão roubos, furtos em veículos e crimes cometidos durante grandes eventos e aglomerações.

Uma das práticas investigadas é a chamada gangue do quebra-vidro, na qual criminosos abordam motoristas parados no trânsito e quebram os vidros dos veículos para levar celulares e outros objetos.

Também aparecem na investigação furtos praticados durante shows e festivais. Entre os eventos citados estão Lollapalooza, Parada do Orgulho LGBT+, Virada Cultural, The Town, Tomorrowland e Só Track Boa.

Segundo o inquérito, nesses locais haveria divisão de tarefas entre os chamados “batedores”, responsáveis por realizar os furtos, e “recolhedores”, que receberiam os celulares rapidamente para facilitar o escoamento dos aparelhos e diminuir o risco de flagrante.

Depois da subtração, começa a atuação do segundo núcleo, responsável pela receptação e pelo desbloqueio dos dispositivos.

Rua Guaianases aparece como polo de recepção

A região da Rua Guaianases, entre Santa Ifigênia e Campos Elíseos, aparece na investigação como um dos principais pontos de recebimento dos celulares furtados e roubados.

Segundo o g1, pesquisas realizadas em sistemas policiais encontraram mais de 500 registros de ocorrência relacionados a celulares com referência à Rua Guaianases em pouco mais de dois anos.

Outro elemento considerado relevante pelos investigadores foi a repetição dos locais de rastreamento. Aparelhos pertencentes a vítimas de crimes diferentes teriam sido identificados posteriormente nas ruas Guaianases, Aurora e Timbiras.

Para o Ministério Público, a concentração indica que a região poderia funcionar como uma espécie de “centro logístico” da cadeia criminosa. Os aparelhos chegariam ao local, permaneceriam por pouco tempo e depois seriam encaminhados para outras etapas do esquema.

A investigação aponta ainda outro fluxo de aparelhos, principalmente aqueles levados em roubos e furtos cometidos contra motoristas. Nesse caso, parte dos celulares teria como destino a região da 25 de Março, com destaque para o Shopping Mundo Oriental e a Galeria Pagé.

“Icloudeiros” desbloqueiam aparelhos e podem acessar dados das vítimas

Depois de recebidos pelos suspeitos, os celulares passariam por uma etapa considerada estratégica: o desbloqueio e a adulteração dos dispositivos.

Os investigadores identificaram a atuação dos chamados “icloudeiros”, especialistas que, segundo o MP, seriam responsáveis por romper mecanismos de proteção dos aparelhos.

Entre os procedimentos investigados estão o desbloqueio de contas iCloud ou Google, redefinição de senhas, restauração de fábrica, remoção de travas de segurança e alteração do IMEI, número utilizado para identificar cada celular perante as redes de telefonia.

A preocupação das autoridades vai além da revenda do aparelho. Segundo a investigação, criminosos também poderiam tentar acessar informações armazenadas nos dispositivos para obter dados pessoais e explorar aplicativos bancários.

Com acesso às contas das vítimas, os suspeitos poderiam tentar realizar Pix, empréstimos e outras fraudes financeiras.

Esse processo também permitiria retirar do aparelho os vínculos que poderiam levar à identificação de seu proprietário original.

Celulares são revendidos ou desmontados para venda de peças

Após o desbloqueio e a adulteração, entra em cena outro núcleo da estrutura investigada. Os aparelhos podem ser revendidos inteiros ou desmontados, com a comercialização das peças separadamente.

Segundo o MP, os suspeitos alterariam o IMEI e utilizariam outros procedimentos técnicos para dificultar a identificação dos aparelhos e permitir que componentes fossem reaproveitados.

A investigação também identificou empresas que seriam utilizadas para dar aparência de regularidade à circulação dos produtos.

Parte desses estabelecimentos está localizada no Centro de São Paulo. Segundo o Ministério Público, algumas empresas apresentariam irregularidades formais e movimentações financeiras incompatíveis com o porte declarado.

O uso de sites hospedados no exterior também é citado na investigação. De acordo com o MP-SP, essa estrutura dificultaria o rastreamento dos celulares e permitiria que aparelhos fossem colocados novamente no mercado sem ligação aparente com os registros dos crimes originais.

Operação apreende milhares de celulares e bloqueia R$ 8 milhões

A operação mobilizou aproximadamente 1.700 agentes e contou com a participação do MP-SP, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e Secretaria da Fazenda, além de cães farejadores.

Em balanço parcial divulgado pela Polícia Militar às 9h40, 10 pessoas haviam sido detidas, sendo nove por mandados de prisão e uma procurada capturada durante uma abordagem.

As equipes contabilizaram 453 celulares, além de cerca de 5 mil celulares e peças apreendidos em um dos locais vistoriados e outros aproximadamente 5 mil aparelhos encontrados no Shopping Mundo Oriental. Os materiais ainda estão sendo contabilizados.

Também foram apreendidos R$ 122,5 mil e US$ 268 em dinheiro, dois cartões bancários, três relógios e dois documentos. Em uma conta bancária, foram bloqueados R$ 8 milhões.

Entre os equipamentos recolhidos estão quatro notebooks, nove tablets, cinco CPUs, um HD e um pen drive. As autoridades também apreenderam quantidades ainda não contabilizadas de maconha e cocaína.

A Operação FrankMobile é resultado de uma investigação iniciada há mais de dois anos e representa um desdobramento de apurações anteriores, como a Operação Salus et Dignitas.

Classificação Indicativa: Livre

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