Polícia
Publicado em 03/10/2026, às 15h45 PM Gisele Alves Santana - Foto: Reprodução Amanda Ambrozio
Um novo laudo do Instituto de Criminalística reforçou a conclusão de que a policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, não cometeu suicídio.
O documento foi anexado ao processo que apura a morte da agente e mantém as conclusões apresentadas anteriormente pela perícia.
O laudo foi juntado aos autos na sexta-feira (2), três dias antes do interrogatório do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da vítima e réu por feminicídio e fraude processual.
Segundo a acusação, o oficial teria matado Gisele e alterado a cena do crime para simular um suicídio.
Assinado pela perita criminal Amanda Rodrigues Marinone, o novo documento foi elaborado para responder a questionamentos apresentados pela defesa.
Segundo a perita, os testes realizados anteriormente foram repetidos e produziram os mesmos resultados, sem qualquer elemento capaz de modificar as conclusões da investigação.
De acordo com o g1, um dos pontos analisados pela perícia foi a posição da arma utilizada no crime.
Segundo o laudo, o armamento estava sobre um guarda-roupa com aproximadamente 2 metros de altura, enquanto Gisele tinha 1,65 metro.
A análise também levou em consideração a dinâmica apresentada pelo tenente-coronel. Geraldo afirmou que estava tomando banho quando ouviu o disparo e encontrou a esposa caída.
No entanto, os peritos avaliaram a visibilidade a partir do banheiro e concluíram que ele não teria como visualizar o corpo da vítima de dentro do box, como havia relatado.
Outro elemento analisado foi o sentido do escorrimento de sangue no corpo de Gisele. De acordo com a perícia, os vestígios são incompatíveis com a hipótese de que ela mesma tenha efetuado o disparo e terminado na posição em que foi encontrada.
A perita destacou que os experimentos podem ser reproduzidos por outros especialistas. “Reexecutados, esses experimentos produzem o mesmo resultado”, registrou Amanda Rodrigues Marinone.
O novo parecer foi produzido depois que a defesa de Geraldo Leite Rosa Neto considerou insuficientes os esclarecimentos prestados anteriormente pelos peritos.
Na resposta, Amanda Marinone afirmou que os questionamentos apresentados pela defesa não revelaram elementos capazes de alterar, complementar ou revisar as conclusões já alcançadas pela perícia.
Com isso, o novo documento mantém a conclusão de que a hipótese de suicídio não é compatível com os vestígios e as circunstâncias analisadas no apartamento onde Gisele foi encontrada.
O oficial, porém, nega ter cometido o crime.
O interrogatório de Geraldo Leite Rosa Neto pela Justiça comum está marcado para a próxima segunda-feira (5), às 13h, no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo.
A etapa encerra a fase de instrução criminal. Depois do interrogatório, o Ministério Público, o assistente de acusação, que representa a família de Gisele, e a defesa deverão apresentar suas manifestações finais.
Na sequência, a juíza responsável pelo processo decidirá se o réu será pronunciado, ou seja, encaminhado para julgamento pelo Tribunal do Júri, ou se será absolvido sumariamente.
Caso seja determinada a realização do júri, a defesa ainda poderá recorrer. Se a decisão for mantida, uma data para o julgamento será definida posteriormente.
Preso preventivamente desde março, Geraldo também responde a um Conselho de Justificação, processo administrativo que pode resultar na expulsão da Polícia Militar mesmo sem uma condenação criminal.
O procedimento é conduzido por três coronéis, que analisam provas e ouvem testemunhas para avaliar se o oficial reúne condições de permanecer na corporação. Ao final, o caso é encaminhado à Justiça Militar, que pode determinar a perda do posto e da patente.
Gisele Alves Santana foi encontrada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde vivia com o marido, na região do Brás, Zona Leste de São Paulo. Ela foi levada em estado grave ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos.
Desde o início, Geraldo sustentou que a esposa havia cometido suicídio enquanto ele tomava banho. Durante a investigação, porém, peritos e policiais identificaram inconsistências nessa versão.
Entre os elementos analisados estavam a posição do corpo, a forma como a arma aparecia apoiada na mão da vítima, vestígios de sangue, marcas de lesões no pescoço e os resultados de uma reprodução simulada realizada pela Polícia Científica.
Em março, a Polícia Civil concluiu o inquérito apontando que o tenente-coronel matou a esposa e alterou a cena para simular um suicídio. A Justiça decretou a prisão preventiva e posteriormente aceitou a denúncia do Ministério Público, tornando o oficial réu por feminicídio e fraude processual.
As investigações também apontaram uma crise no relacionamento. Segundo a acusação, Gisele pretendia se separar e o oficial não aceitava o fim do casamento. Mensagens encontradas nos celulares do casal mostraram cobranças e comportamentos de controle atribuídos ao tenente-coronel.
Em depoimento, Geraldo afirmou que expressões como “macho alfa” e “fêmea beta obediente e submissa”, encontradas nas conversas, faziam parte de uma brincadeira entre o casal.
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