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Caso Gisele: Perito do tenente-coronel defendeu bolsonarista que matou tesoureiro do PT

Perito que atua no caso Gisele já integrou a defesa de Jorge Guaranho, condenado pela morte de Marcelo Arruda, que foi tesoureiro do PT  |  Foto: Reprodução

Publicado em 01/04/2026, às 13h25   Foto: Reprodução   Marcela Guimarães

O perito particular Fabiano Abucarub, contratado pela defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, suspeito do caso de feminicídio envolvendo a soldado Gisele Alves Santana, já teve participação em outro caso de grande repercussão.

Abucarub atuou em favor de Jorge Guaranho, condenado pela morte do tesoureiro do PT Marcelo Arruda.

Trajetória e atuação profissional

Atuando como perito desde 2009, ele tem formação em enfermagem forense pelo Centro Universitário Filadélfia e especialização em diferentes áreas, como crimes sexuais, cibernéticos, de trânsito e contra a vida.

Ao longo da carreira, acumulou experiência em centenas de processos. Como perito assistente, participou de mais de 500 ações judiciais. Já como perito judicial, responsável por laudos oficiais solicitados por magistrados, esteve envolvido em mais de 3.300 casos em cidades do Paraná.

Fabiano Abucarub (Foto: Divulgação)

Investigação da morte de soldado

Na última segunda-feira (30), a Justiça autorizou a atuação de Abucarub como assistente técnico na apuração da morte de Gisele.

Segundo o UOL, a decisão foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e pelo advogado de defesa, Eugênio Malavasi, responsável pelo pedido.

Desde então, o perito já começou a analisar os laudos produzidos pela perícia oficial no processo em que Geraldo é investigado. Ao comentar sua atuação, afirmou que o foco do trabalho é a “busca pela verdade real dos fatos”.

Papel do perito assistente

A atuação de um perito contratado pela defesa não substitui a perícia oficial. Trata-se de um trabalho complementar, previsto no Código de Processo Penal, que permite às partes questionar ou reforçar interpretações apresentadas no processo.

Caso Marcelo Arruda

O nome de Abucarub esteve envolvido no julgamento da morte de Marcelo Arruda, ocorrida em 9 de julho de 2022, em Foz do Iguaçu (PR), durante a comemoração de aniversário de 50 anos do tesoureiro do PT.

Imagens de segurança registraram o momento em que Jorge Guaranho invadiu o local da festa, que tinha temática em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e efetuou disparos.

Testemunhas relataram que, minutos antes, ele já havia passado pelo local e discutido com convidados.

Arruda reagiu e houve troca de tiros. Ambos ficaram feridos, mas o petista morreu no dia seguinte. Guaranho sobreviveu, foi preso após se recuperar e acabou condenado a 20 anos de prisão em fevereiro de 2025.

Durante o processo, Abucarub foi contratado pela defesa e contestou alguns pontos apresentados.

Uma das versões divulgadas indicava que Guaranho teria chegado atirando, o que foi questionado pelo perito, que afirmou que o acusado desceu do carro com “cabeça baixa e mãos livres”.

Em seu parecer técnico, ele sustentou que a reação de Guaranho estaria alinhada a protocolos de treinamento policial.

Abucarub também criticou um laudo da acusação que apontava, por meio de leitura labial, que o condenado teria dito “petistas vão morrer” antes do crime.

Segundo o perito, não seria possível realizar esse tipo de análise com base nas imagens disponíveis.

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