Polícia
Publicado em 03/07/2026, às 14h05 Foto: Reprodução/Facebook Amanda Ambrozio
O ex-bispo católico Valdir Mamede foi declarado réu por importunação sexual contra um padre após a Justiça aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).
A informação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), embora o processo tramite sob sigilo. Por esse motivo, a Corte não comentou o caso.
Segundo a denúncia, os episódios teriam ocorrido entre 2019 e 2023, na Paróquia de São Sebastião, em Ibirá, e na Residência Episcopal de Catanduva, no interior paulista.
O Ministério Público atribui ao menos quatro episódios ao ex-bispo e afirma que ele se aproveitava da posição de autoridade sobre a vítima.
Na denúncia encaminhada à 2ª Vara Criminal de Catanduva, o promotor Caíque Ducatti afirma que Mamede utilizava a relação hierárquica para constranger o padre.
"Aproveitando-se dessa relação de hierarquia, da extrema vulnerabilidade psicológica da vítima e de ameaças veladas de punições canônicas, como, por exemplo, remoção da paróquia ou o impedimento do exercício do ministério sacerdotal", escreveu o promotor.
Segundo o UOL, o religioso alegava precisar de cuidados pessoais, como depilação corporal íntima, mas que o pedido teria sido utilizado para mascarar sua real intenção.
O inquérito policial também descreve um episódio ocorrido em 2022, quando Mamede teria agarrado e beijado o padre à força enquanto ambos assistiam a um filme na residência episcopal.
A denúncia ainda cita chamadas de vídeo em que o ex-bispo apareceria nu e se masturbaria, além de uma visita à casa da vítima, em 2023, quando, segundo a acusação, teria tentado agarrá-la sem consentimento.
Além da condenação criminal, o Ministério Público pede o pagamento de indenização mínima de R$ 300 mil por danos morais à vítima.
O promotor também justificou a não oferta de um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), afirmando que "os crimes são contra a dignidade sexual, foram praticados de forma reiterada, por cinco anos consecutivos, por agente que possuía autoridade sobre a vítima".
A Promotoria ainda solicitou medidas cautelares para impedir qualquer contato de Mamede com a vítima e testemunhas, incluindo a proibição de comunicação por qualquer meio e o distanciamento mínimo de 500 metros.
Também pediu que o ex-bispo seja impedido de frequentar a Paróquia de São Sebastião e a Diocese de Catanduva durante a investigação, além da retenção do passaporte, caso a Justiça determine.
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