Polícia

Perícia descarta suicídio e conclui que PM Gisele foi assassinada; relembre o caso

Novo documento reforça a hipótese de feminicídio e aponta a participação de uma segunda pessoa na morte da soldado Gisele Alves Santana  |  Foto: Reprodução

Publicado em 03/09/2026, às 13h43   Foto: Reprodução   Marcela Guimarães

Um novo laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo reforçou a hipótese de que a soldado Gisele Alves Santana foi vítima de feminicídio.

Segundo a análise complementar, a possibilidade de que a policial tenha tirado a própria vida é incompatível com os vestígios encontrados durante a investigação.

A perícia concluiu que houve a participação de uma segunda pessoa na morte da soldado. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, ex-marido de Gisele, é acusado pelo crime e está preso desde março deste ano.

Gisele Alves Santana e Geraldo Leite Rosa Neto (Foto: Reprodução)
Gisele Alves Santana e Geraldo Leite Rosa Neto (Foto: Reprodução)
Gisele Alves Santana e Geraldo Leite Rosa Neto (Foto: Reprodução)
Gisele Alves Santana (Foto: Reprodução)

Vestígios contradizem versão de suicídio

O documento, obtido pela CNN Brasil, aponta que a versão inicialmente apresentada para a morte da policial foi considerada incompatível com as evidências materiais analisadas pelo instituto.

De acordo com os peritos, foram identificadas divergências entre a dinâmica apresentada inicialmente e os vestígios físicos encontrados no local. A análise levou à conclusão de que a hipótese de suicídio deveria ser descartada.

Os elementos avaliados incluem os padrões das manchas de sangue, fotografias feitas durante a perícia e outras provas materiais recolhidas no local da ocorrência.

O laudo complementar foi assinado na última terça-feira (1º) e integra análises periciais realizadas anteriormente.

O documento foi produzido para responder aos questionamentos apresentados por um assistente técnico contratado pela defesa do tenente-coronel.

Defesas se manifestam

A defesa de Geraldo Leite Rosa Neto, representada pelo advogado Eugênio Malavasi, informou que está analisando as respostas apresentadas pelo Instituto de Criminalística aos quesitos levantados no laudo, em conjunto com o assistente técnico.

Já a defesa dos familiares de Gisele voltou a afirmar que não tinha dúvidas sobre a dinâmica da morte da policial. O advogado Miguel Silva declarou que “jamais teve dúvidas de que a morte foi resultado de um feminicídio”.

Para o representante da família, a nova análise pericial reforça os elementos reunidos anteriormente na investigação e confirma a tese de que Gisele foi assassinada. O tenente-coronel é apontado pela acusação como responsável pelo crime.

Relembre o caso

Gisele foi encontrada morta em 18 de fevereiro no apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, região central de São Paulo. A policial tinha um tiro na cabeça e o caso, inicialmente tratado como suicídio, passou posteriormente a ser investigado como morte suspeita pela Polícia Civil.

Um dos pontos analisados pelos investigadores havia sido o comportamento do tenente-coronel logo após a ocorrência.

Segundo relatos registrados na investigação, o oficial teria insistido em tomar banho e trocar de roupa mesmo após o início do atendimento policial.

Entre outros elementos reunidos no inquérito estão registros de mensagens atribuídas ao tenente-coronel que indicariam monitoramento das conversas da policial. As trocas de mensagens fazem parte do material analisado pelos investigadores para entender a dinâmica da relação.

As denúncias mencionam ainda que o oficial apresentaria instabilidade emocional e protagonizaria episódios de intimidação contra a esposa. Segundo o relato registrado na investigação, a soldado viveria em estado constante de medo diante dessas situações.

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