Polícia
Publicado em 28/08/2026, às 12h50 Foto: Reprodução Amanda Ambrozio
Quatro policiais civis foram presos na manhã desta sexta-feira (28), suspeitos de integrar um esquema de cobrança de propina para liberar cargas irregulares em São Paulo.
A Operação Merx é realizada pela Corregedoria da Polícia Civil em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Ao todo, sete pessoas são alvos de mandados de prisão. Além dos quatro agentes, a Justiça determinou a prisão de um advogado e de dois homens apontados como responsáveis pelo transporte das cargas e pelo pagamento das supostas propinas.
Segundo as investigações, o grupo cobrava valores para deixar de apreender cargas de eletrônicos que deveriam ser recolhidas pelas autoridades.
Os produtos teriam sido trazidos do exterior sem o pagamento de impostos ou transportados sem documentação fiscal.
Os policiais foram identificados como Bruno dos Santos, José Adriano Pereira da Silva Nishi, Marcos Vinícius de Souza Melo e Vagner Ramalho.
De acordo com o Ministério Público, os agentes utilizavam informações e recursos da própria Polícia Civil para monitorar o deslocamento de caminhões suspeitos. Com os veículos identificados, eles realizavam as abordagens e, posteriormente, cobravam valores para liberar as mercadorias.
Os investigadores apontam que as cobranças poderiam chegar a 70% do valor total da carga. Em alguns episódios, os valores exigidos alcançaram R$ 2,3 milhões.
Segundo o UOL, os crimes teriam ocorrido pelo menos quatro vezes desde 2024.
Além da cobrança de propina, os policiais são suspeitos de registrar apreensões menores do que a quantidade de mercadorias efetivamente transportada pelos caminhões.
Em um dos casos investigados, por exemplo, um dos agentes teria formalizado a apreensão de 250 aparelhos celulares, embora o veículo transportasse cerca de 4 mil celulares.
A diferença entre o material transportado e o oficialmente apreendido teria permitido que parte da carga permanecesse em circulação.
O advogado Sidiclei da Costa Almeida também foi alvo de mandado de prisão. Segundo as investigações, ele teria atuado como intermediário entre os responsáveis pelas cargas e os policiais envolvidos no esquema.
Os outros dois alvos são Jonathan Renan Vieira e Thiago Marcel Magnabosco, apontados como responsáveis pelo transporte das cargas de descaminho e pelo pagamento das propinas aos agentes públicos.
Além de São Paulo, a Operação Merx cumpriu mandados no Paraná e em Goiás.
A Justiça também determinou o sequestro de bens no valor total de R$ 4 milhões, como parte das medidas adotadas durante a investigação.
Três unidades da Polícia Civil estão entre os alvos dos mandados de busca e apreensão: o Distrito Policial de Santana de Parnaíba, o Distrito Policial de Embu das Artes e o 2º Distrito Policial de Cotia.
Um investigador da Polícia Civil também foi afastado do exercício da função pública por determinação judicial. Segundo as investigações, ele teria utilizado informações para monitorar o deslocamento dos veículos e auxiliar os policiais nas abordagens.
O agente, porém, não teria recebido dinheiro pelo serviço. Como medida cautelar, ele foi proibido de manter contato com outros investigados e com testemunhas do caso.
A Operação Merx segue em andamento, e as autoridades devem analisar documentos e outros materiais apreendidos para aprofundar a investigação sobre a atuação do grupo.
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