Polícia
Publicado em 27/08/2026, às 07h00 Foto: Magnific Andrezza Souza
A segurança de um apartamento começa pelo acesso ao condomínio. Portões abertos, falta de identificação de visitantes e a entrada de desconhecidos podem facilitar a ação de criminosos.
Casos envolvendo falsos entregadores chamaram atenção em São Paulo. Os suspeitos se passam por profissionais de delivery para se aproximar das vítimas ou entrar em condomínios. Uma reportagem do Fala Brasil, da Record, exibida em 17 de agosto, mostrou ocorrências desse tipo na capital.
A prática também aumenta a desconfiança sobre entregadores que trabalham regularmente.
Para a delegada Raquel Gallinati, entrevistada pelo BNews São Paulo, moradores e condomínios devem prestar atenção principalmente aos procedimentos de entrada.
Portões que ficam abertos por períodos prolongados, pessoas sem identificação e a liberação de visitantes sem confirmação estão entre os pontos citados pela delegada.
Dentro do apartamento, portas, fechaduras, janelas e varandas também precisam ser avaliadas. O acesso é uma preocupação maior em unidades térreas, nos primeiros andares e em alguns apartamentos de cobertura.
Dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) mostram que os roubos diminuíram no primeiro semestre de 2026.
Entre janeiro e junho, o Estado registrou 71.448 roubos, contra 85.530 no mesmo período de 2025. A redução foi de 16,5%.
Na capital, foram 44.649 ocorrências, ante 51.266 no primeiro semestre do ano passado. A queda foi de 12,9%.
Os furtos também tiveram redução. Foram 263.002 registros no Estado entre janeiro e junho de 2026, contra 277.063 no mesmo período de 2025.
Na cidade de São Paulo, foram 120.806 furtos, ante 123.734 no ano anterior.
Os números incluem diferentes tipos de crimes e não permitem determinar o risco de invasão de cada residência. Eles mostram, porém, o volume de ocorrências registradas na cidade.
Algumas mudanças na rotina podem ser adotadas antes da compra de equipamentos.
Raquel recomenda que moradores confirmem a identidade de prestadores de serviço e visitantes antes de permitir a entrada. A orientação também vale para pessoas que chegam por meio do interfone.
Outro cuidado é evitar deixar chaves em locais previsíveis e publicar nas redes sociais informações sobre viagens ou períodos em que o imóvel ficará vazio.
“Informar em tempo real que está viajando, por exemplo, significa tornar público que aquele imóvel pode estar vazio.”, informou Raquel.
A delegada também recomenda que funcionários e moradores não repassem informações sobre a rotina de outros residentes.
O condomínio deve estabelecer procedimentos para visitantes, entregadores e prestadores de serviço. Essas regras precisam ser conhecidas por moradores, funcionários e equipes de portaria.
O preço varia de acordo com o tamanho do imóvel e a quantidade de equipamentos.
Segundo Dario Valério dos Santos, gerente de câmeras da Intelbras, em entrevista ao BNews São Paulo, uma estrutura básica pode custar cerca de R$ 450, considerando uma câmera Wi-Fi e uma fechadura digital.
Uma configuração intermediária, com câmeras de maior cobertura, fechadura conectada e sensores de abertura, fica em aproximadamente R$ 1.150.
Em uma estrutura mais completa, o valor pode chegar a R$ 2.100, dependendo dos equipamentos escolhidos.
| Nível de proteção | Equipamentos | Valor aproximado |
| Básica | Câmera Wi-Fi + fechadura digital | R$ 450 |
| Intermediária | Câmeras + fechadura conectada + sensores | R$ 1.150 |
| Completa | Mais sensores + fechadura avançada + integração | R$ 2.100 |
Os valores são referências apresentadas pelo especialista e podem mudar conforme fabricante, quantidade de equipamentos e funcionalidades.
Também podem ser cobrados serviços de armazenamento de imagens na nuvem e recursos adicionais de inteligência artificial.
Segundo Dario, alguns equipamentos seguem o modelo plug and play e podem ser configurados pelo próprio consumidor, dependendo do produto.
A escolha dos equipamentos depende das características do apartamento.
Uma unidade com uma única porta de entrada terá necessidades diferentes de outra com varanda, mais de uma porta ou outros pontos de acesso.
Câmeras podem auxiliar no acompanhamento da movimentação e na identificação de pessoas. Sensores podem indicar a abertura de portas e janelas. Fechaduras digitais permitem controlar o acesso por senha, biometria, tag ou aplicativo, dependendo do modelo.
Dario também cita a integração dos equipamentos em um mesmo sistema, com acompanhamento pelo celular.
Para Raquel, o controle de acesso continua sendo uma preocupação para os condomínios.
“Não adianta ter a tecnologia mais moderna se o condomínio não possui um bom controle de acesso. Segurança é um conjunto de medidas”, afirmou Raquel.
A quantidade de câmeras também não deve ser usada como único parâmetro. Equipamentos sem acompanhamento, pontos cegos e falhas na portaria podem comprometer o sistema.
Em caso de invasão, a orientação é registrar um boletim de ocorrência.
Em nota ao BNews São Paulo, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que o registro permite à Polícia Civil tomar conhecimento do crime e iniciar as providências de investigação.
O boletim pode ser feito presencialmente ou, nas ocorrências disponíveis, pela Delegacia Eletrônica.
Também é importante preservar as imagens das câmeras do apartamento, do condomínio e de imóveis ou estabelecimentos próximos.
O morador deve verificar onde as gravações ficam armazenadas, por quanto tempo permanecem disponíveis e como podem ser exportadas. Essas informações podem ser necessárias durante a investigação.
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