Polícia
Publicado em 16/06/2026, às 08h57 - Atualizado às 09h50 Foto: Divulgação Tatiana Ribeiro
Durante interrogatório na Polícia Civil, os três suspeitos presos pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, declararam que conheciam o protocolo de segurança para a prática esportiva. No entanto, nos depoimentos foram apontadas em série de falhas, como a falta de explicação sobre a ausência da corda de segurança.
Três responsáveis pelo salto seguem presos e indiciados por homicídio doloso — com intenção — porque assumiram o risco de alguém morrer. São eles Maicon Fernandes Cintra, 42, Vitor de Freitas Gonçalves, 27, e Luis Felipe Feliciano Egoroff, 32.
Em depoimento, Luis Felipe declarou que o grupo já praticava rope jump havia alguns meses na Ponte do Esqueleto.
Naquele dia, havia cerca de 80 a 90 saltos previstos. Cada participante pagava R$ 180. A filmagem, feita com câmera 360, custava mais R$ 110.
Questionado pela delegada Andrea Dantas Levy sobre a divisão de funções, ele não apontou um responsável final pela corda. Relatou que a colocação e a checagem variavam entre os integrantes. “Às vezes, um faz, o outro vem, vê se tá certo. Era mais ou menos isso”, declarou.
A policial ainda perguntou se ele não conseguia recordar se era sua função colocar a corda ou fazer a fiscalização. Luis Felipe respondeu que “não lembrava”.
Maicon também confirmou que existia um procedimento padrão para a atividade. Segundo ele, a corda de segurança era presa ao peitoral antes de a pessoa acessar a plataforma. “É visível. É no peito”, declarou.
Ele afirmou que, em algumas ocasiões, era responsável por colocar a corda, enquanto em outras essa tarefa ficava a cargo de Luis Felipe.
Questionado sobre a realização de uma conferência após a instalação do equipamento, Maicon respondeu que sim, explicando que verificava itens como o equipamento, o capacete, o peitoral e as cordas.
No caso de Maria Eduarda, entretanto, ele disse não se recordar se chegou a realizar essa checagem.
Maicon também declarou que o sistema de segurança utilizado contava com dois pontos de ancoragem. Segundo seu testemunho aos policiais, a corda era fixada em dois locais distintos, o que tornaria praticamente impossível uma falha do equipamento.
A afirmação reforça uma das principais contradições investigadas no caso. Se o sistema era considerado seguro e a presença da corda podia ser facilmente constatada, a morte de Maria Eduarda não teria sido provocada por rompimento ou defeito técnico, mas pela ausência da conexão do equipamento de segurança no momento do salto.
Por sua vez, Vitor declarou que estava em uma tenda, equipando outras pessoas, quando foi solicitado para ajudar no arremesso. Ele aparece nas imagens segurando os pés da jovem.
Ele afirmou que não era responsável pela colocação da corda naquele momento. Vitor ainda declarou que quando era chamado para lançar alguém, presumia que todos os procedimentos adotados estavam corretos.
A delegada perguntou se ele verificou se a checagem havia sido feita. Vitor respondeu que “só tinha que levantar” a vítima e seguir o que estava fazendo.
Ele também confirmou que o procedimento para colocar a corda era feito antes da pessoa entrar na plataforma. A fala se soma aos relatos de Luis Felipe e Maicon e mostra que os três conheciam a etapa que falhou.
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